Carlos Gonzalez / The New York Times
Carlos Gonzalez / The New York Times

O espírito da ativista Maya Angelou revive nos muros de uma escola

A arte está exposta em Los Angeles; ao todo, 28 obras em homenagem à poetisa que morreu em 2014 integram projeto de arte pública

Carlos Gonzalez e Amanda Svachula, The New York Times

11 de agosto de 2019 | 06h00

Um mural de Shepard Fairey que retrata Maya Angelou, rindo em plena luz do sol, agora toma um muro externo de uma escola de segundo grau em Los Angeles, que carrega seu nome. O exuberante retrato do artista de rua contemporâneo é uma das 28 obras em homenagem à Maya Angelou atualmente expostas na escola, integrando um recente projeto de arte pública. “Segundo uma de suas expressões filosóficas, a alegria é um ato de resistência,” disse Fairey referindo-se à Angelou, poetisa, artista e ativista que morreu em 2014. “A ideia é de que todas estas coisas expressam ódio, ira, que as pessoas espalham à sua volta descuidadamente - se você se recusa a permitir que elas mudem a sua natureza, e ainda encontra temas para celebrar na sua vida, são apenas parte da batalha”.

Fairey foi um dos 33 artistas locais e internacionais (alguns faziam parte de coletivos) que expuseram suas visões artísticas no Festival do Mural de Maya Angelou, evento de uma semana de duração realizado em maio e organizado pela Branded Arts, que monta instalações de arte para comunidades e empresas. Mais da metade destes artistas vive em Los Angeles, mas outros vêm de muito longe, Miami, Suíça e Espanha.

Alguns dos trabalhos são fotografias realistas; outros são ilustrativos, geométricos ou abstratos. Outros ainda incluem palavras ou referências aos seus poemas. Shawn Michael Warren, pintor figurativo de Chicago, criou um retrato realista de Angelou em que destaca principalmente seus olhos expressivos. “Eu queria que o mural fosse o mais vivo e orgânico possível”, afirmou Warren. “Quis que cada espectador sentisse como se o seu espírito impregnasse o mural, como se ela estivesse olhando para ele, prestes a pronunciar palavras de profunda sabedoria”.

Huge, muralista da Suéia, pintou o nome de Maya em um muro com balões de grafites em 3D, acompanhados por uma fênix cor de laranja - uma referência ao seu poema Still I Rise (Mais uma vez me levanto). “Na minha opinião, as bolas de hélio simbolizam que estamos celebrando alguém ou alguma coisa, por isso esta seria a minha versão de uma homenagem a Maya Angelou”, explicou.

Arte para escolas

A Branded Arts inaugurou a sua iniciativa de levar a arte para as escolas públicas de segundo grau com o Festival do Mural RFK, realizado nas Escolas da Comunidade Robert F. Kennedy, em Los Angeles, em 2016. Os organizadores passaram quase três anos planejando o evento mais recente, e receberam contribuições dos administradores de escolas, membros da comunidade e, mais notavelmente, de um comitê diretor de estudantes do segundo grau que ajudaram a decidir os temas dos murais. Ao longo do processo, a escola, criada em 2011, acabou mudando a sua mascote por uma fênix em homenagem a Still I Rise.

Uma das estudantes está em um mural pintado por Victoria Cassinova, artista contemporânea de Los Angeles. “Os cristais e as montanhas que saem da minha cabeça são metáforas visuais do que a nossa mente é capaz de criar, e das infinitas possibilidades que criamos para nós mesmos quando fazemos a nossa mente trabalhar neste sentido”, argumentou.

Na sua obra, o artista de rua brasileiro Francisco Rodrigues, o Nunca, expôs o conceito de sabedoria, inspirado em várias culturas tribais. Ele retrata dois corpos, pintados com poemas de Angelou, sentados lendo livros. Nunca disse que espera que a obra de arte inspire as pessoas a ler mais, “a conhecer mais sobre o seu passado, a sua história, e a usar a informação para criar o seu próprio futuro”.

Tudo foi montado na semana anterior ao festival. Segundo Fairey, em um ambiente caloroso e de grande colaboração. Os artistas  se ajudaram mutuamente com suas obas, e estudantes e professores levaram pupusas (tortillas salvadorenhas) e pizza para eles enquanto trabalhavam.

A semana da inauguração incluiu outros tipos de programação de arte, com a finalidade de introduzir os estudantes a diferentes aspectos da economia criativa, inclusive uma apresentação do músico Miguel. Warren Brand, fundador da Branded Arts, disse que os professores começaram, inclusive, a implementar os estilos de arte utilizados no campus em aulas da escola. “Nós na realidade tínhamos uma mescla diferenciada de estilos e técnicas”, disse. “Ser capaz de transformar o ambiente e criar um ambiente de imersão para as crianças ajuda a permear a sua mente enquanto elas avançam para anos incrivelmente importantes da sua vida". / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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