Aprimoramento da tecnologia permitirá melhor previsão do tempo

Aprimoramento da tecnologia permitirá melhor previsão do tempo

Uma previsão otimista – prognósticos climáticos de longo prazo serão mais precisos

Sarah Witman, The New York Times - Life/Style

11 de outubro de 2020 | 05h00

E se fosse possível ter uma previsão do tempo mais precisa com três semanas de antecipação? Em algumas partes do mundo isto em breve será possível. No momento, os meteorologistas conseguem de maneira confiável prever o tempo oito dias antes no caso de muitas áreas dos Estados Unidos, de acordo a Sociedade Meteorológica Americana.

Nos últimos anos, pesquisas têm mostrado que o aprimoramento da tecnologia permitirá previsões do tempo acuradas com uma antecipação de até 15 dias. E de acordo com um estudo recente publicado por Falko Judt, cientista do National Center for Atmospheric Research, em Boulder, Colorado, o potencial para isto é ainda maior nos trópicos. Judt fez uma série de simulações usando um modelo climático global.

Como esperado, a capacidade do modelo de realizar previsões de tempo precisas dissipou depois de duas semanas nas regiões de média latitude e dos polos, que abrange a grande parte dos Estados Unidos. Mas, no caso dos trópicos, o modelo quase não mostrou uma dissipação mesmo depois de 20 dias.

O que sugere que os institutos de previsão do tempo um dia conseguirão de maneira precisa prever o tempo nos trópicos três semanas antes – potencialmente num prazo até maior. Em geral, os fenômenos climáticos tropicais são mais sutis e menos variáveis, de modo que “têm intrinsecamente uma previsibilidade mais longa”, disse Judt.

Por exemplo, Nova York deve registrar uma temperatura mais alta no dia anterior a uma nevasca, mas a floresta amazônica jamais é assim tão caprichosa. No Amazonas, “você tem um dia de muita chuva e duas semanas depois um período de seca de 10 dias, mas a variação de temperatura é de apenas alguns graus”. Mas mesmo havendo muita uniformidade no clima tropical, isto não significa que a previsibilidade seja a mesma.

“Um relógio parado é muito previsível”, disse Kerry Emmanuel, cientista do MIT Instituto de Tecnologia de Massachusetts. “Se um relógio parar às 12h5, você dirá que ele se manterá no horário de 12h5 para sempre. E você está certo. Mas não podemos dizer que é uma previsão muito hábil”.

A previsão do tempo é problemática nos trópicos em parte porque existem modelos de prognóstico que não estão bem adaptados aos seus fenômenos climáticos mais comuns. “Nos trópicos, o clima na maior parte é formado de chuvas e trovoadas, que são muito menores do que um sistema climático típico nas médias latitudes e são mais difíceis de simular com nossos atuais modelos de previsão do tempo”.

Do mesmo modo, existem menos dados prontamente disponíveis para inserir nesses modelos. Os Estados Unidos e outros países de média latitude têm centenas de estações meteorológicas. Mas nos trópicos há menos estações porque uma vasta área do território é abrangida por oceanos. Além disto, muitos países tropicais carecem do financiamento necessários para coletar dados usando balões meteorológicos, aviões, drones e outros aparelhos caros.

A falta de capacidade para prever com precisão o tempo nos trópicos, especialmente a chuva, tem um impacto descomunal sobre as pessoas que vivem ali. Muitos sobrevivem da agricultura, disse Judt, e “é muito difícil plantar e colher quando não se sabe quando vai chover, o quanto vai chover e por quanto tempo a chuva vai durar”.

Os trópicos também estão propensos a temporais extremos onde “chove durante horas e horas”. Prognósticos climáticos acurados com bastante antecipação ajudarão as comunidades a se prepararem melhor, contribuirão para se evitar danos à propriedade, ferimentos e mortes resultantes de inundações.

Mas a situação melhorou nas últimas décadas. Eugenia Kalnay, física atmosférica no College Park da universidade de Maryland que estuda a previsibilidade do clima, diz que o advento de satélites climáticos revolucionou a previsão do tempo nos trópicos. “Na década de 1990 não tínhamos nenhuma observação por satélite no hemisfério sul. Mas desde então o número e a qualidade de observações via satélite aumentaram substancialmente”, e assim nossa capacidade de fazer previsões acuradas no Hemisfério Sul é quase tão boa como no Hemisfério Norte.

Além do que, os modelos climáticos globais que estão agora em desenvolvimento conseguem simular as chuvas e temporais, disse Judt, ao passo que os existentes não conseguem. Isto, juntamente com uma série de satélites que deverão ser lançados nos próximos anos, resultarão em prazos mais longos no caso das previsões de tempo nas regiões tropicais. “Veremos uma melhora das previsões do tempo nos trópicos nos próximos 10 anos”, disse ele.  / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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