Lucy Nicholson/Reuters
Lucy Nicholson/Reuters
Matt Wasielewski, The New York Times

19 de maio de 2019 | 06h00

Atualmente, uma campanha por um cargo político exige forte presença nas redes sociais. Para os mais de 20 democratas que concorrem à indicação para representar o partido nas eleições presidenciais americanas de 2020, isso inclui propaganda no Facebook, um site e outras formas de contato online com o eleitorado.

Para um candidato relativamente desconhecido como Andrew Yang, que conseguiu apoio na internet, "ser uma pessoa capaz de merecer um meme é importante", disse ao Times Zach Graumann, seu gestor de campanha. Yang procurou cultivar seguidores dedicados na internet, conhecidos como a "Yang Gang", que colocou sua imagem em memes, canções, vídeos e hashtags.

Com um apoio que oscila de 0% a 2%, segundo as pesquisas, Yang conseguiu viralizar e apareceu em um podcast popular, o que lhe permitiu alcançar rapidamente as 65 mil doações exigidas para qualificar-se para os primeiros debates na televisão, marcados para o final de junho.

Explicar as posições políticas em minúsculos componentes expressos visualmente na internet é algo que atrai os jovens, disse ao Times Michael Bossetta, pesquisador da Universidade de Copenhague especializado em participação política.

"Este é o conceito da política leve. O conteúdo pode ser compartilhado, é leve, no sentido de que pode transitar pelas redes sociais, e não pesado em termos de política", afirmou.

O conceito não é novo. Richard Dawkins, professor de Oxford, foi quem cunhou o termo meme em um livro de 1976 para descrever uma unidade de cultura, um bloco de construção de nossa arquitetura mental, de acordo com um artigo da revista The New York Times Magazine.

Já antes da internet, Dawkins se mostrou cauteloso com o poder do meme. O limitado poder de processamento da mente, segundo ele, cria um ambiente para a sobrevivência do mais apto. "Para que o meme domine a atenção de uma mente humana, deve fazê-lo à custa de memes 'rivais'", explicou.

Os memes podem captar um momento cultural, dominando o caráter dos que os criam e os compartilham, o que nem sempre funciona a favor de Yang. A Yang Gang, observou o repórter Kevin Roose, pode parecer "um grupo de arruaceiros da internet, aborrecidos por não terem o que fazer, que querem descobrir até onde podem ir com uma piada". A linha entre a organização política e o deboche pode ser um tanto confusa.

"Há pessoas que se congregam na internet e consideram a política quase um exercício sem sentido", afirmou o diretor de comunicação Neeraj K. Agrawal. "Acho que, neste contexto, as eleições e as campanhas poderiam ser hilárias".

E se a comunidade da internet pode fazer piada com as eleições, por que não também com a guerra nuclear?

No início deste ano, com as tensões ao longo da fronteira entre Índia e Paquistão prestes a explodir depois de uma série de escaramuças militares, os usuários das redes sociais de ambos os lados entraram em ação imediatamente.

"Após o início das hostilidades indiano-paquistanesas, houve uma repentina onda de humor sobre a situação", escreveu Elia Rathore no Times. "A cada desdobramento, uma nova série de memes circulava pela internet".

Em um deles, dois astros de reality shows da TV, um com o nome de Índia, e outro de Paquistão, aparecem prontos para a briga. "Você vai me bater?", o paquistanês pergunta brandindo uma vassoura com o rótulo Cashemira.

Quando os memes são bastante engraçados, tornam-se virais. Em uma era em que as tensões estão tão elevadas, seja na fronteira entre Índia e Paquistão ou na disputa para substituir Donald Trump, o uso do humor reduz em parte a pressão.

"Se tivermos de encarar o discurso do ódio ou a guerra nuclear, não há o que não possa ser transformado em meme", escreveu Rathore. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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