Kin Cheung/Associated Press
Kin Cheung/Associated Press

Queda de ações em Hong Kong é sinal de advertência

Um mercado volátil, onde as bolhas frequentemente explodem

Alexandra Stevenson, The New York Times

13 de dezembro de 2019 | 06h00

HONG KONG - Mesmo para os padrões de Hong Kong, onde os altos e baixos da bolsa rivalizam com os eventos da pista de cavalos como esporte para espectadores, três recentes reviravoltas foram espetaculares.

A ArtGo, empresa de extração de mármores chinesa, despencou 98% em um dia. Uma montadora chinesa que virou empresa de educação chamada China First Capital caiu 78%. E outra empresa de educação, a Virscend, caiu 33%.

A queda no final de novembro teve pouco a ver com as manifestações que dominaram Hong Kong por meses. Em vez disso, elas apontaram para problemas mais persistentes no mercado. Os reguladores deixaram escapar algumas práticas duvidosas. As regras sufocam os opositores que podem ser investidores ingênuos ou deslumbrados.

Como resultado, as bolhas são infladas regularmente em Hong Kong, com uma velocidade às vezes alarmante. Então elas surgem, geralmente deixando pequenos investidores com nada além de ar.

Apesar dos problemas políticos, Hong Kong prosperou em comparação a China e ao resto do mundo. A bolsa de valores de Hong Kong é a sexta mais valiosa do mundo, de acordo com a Federação Mundial de Bolsas de Valores. O credor britânico HSBC e a gigante chinesa da Internet Tencent conseguiram centenas de bilhões de dólares lá. Em 26 de novembro, o Alibaba, o titã chinês do comércio eletrônico, ganhou mais de US$ 11 bilhões em venda de ações no país.

Mas críticos como David Webb, um ativista dos acionistas de Hong Kong, dizem que as regras locais mantêm o mercado menos que saudável.

Por exemplo, nenhuma divulgação é necessária quando um grande investidor penhora ações de uma empresa como garantia para um empréstimo. Se o empréstimo for repentinamente reembolsado, o investidor pode ter que vender muitas ações às pressas, diminuindo o preço.

Hong Kong tem uma visão desaprovadora dos "short sellers" - investidores que apostam que as ações cairão. Mas eles desempenham um papel crucial em mercados arrebatadores ao deixar claro que ações podem estar sendo negociadas por um preço mais alto do que deveriam. As autoridades de Hong Kong permitem que os investidores apostem contra apenas um número limitado de empresas e multam aqueles que questionam os números de uma empresa. 

Um porta-voz do proprietário da Bolsa de Valores de Hong Kong, a Hong Kong Exchanges & Clearing, se recusou a comentar sobre a situação. Um porta-voz da Comissão de Valores Mobiliários e Futuros, principal órgão regulador financeiro do território, disse que "tomará medidas contra as partes envolvidas em má conduta no mercado, quando apropriado".

As três ações que caíram recentemente tão acentuadamente não estavam voando despercebidas. Webb colocou todos elas em uma lista de “ações que não devem ser compradas” em Hong Kong, depois de questionar sua propriedade e preço das ações.

As empresas não responderam aos pedidos de entrevistas.

As ações da ArtGo dispararam neste ano, passando de cerca de 6 centavos por ação, em janeiro, para quase US$ 2. O aumento ultrapassou um limite que permitiria à MSCI, uma empresa que gerencia índices de ações, incluí-lo em seu Índice de ações da China. Como esse índice é amplamente seguido pelos investidores, muitas pessoas comuns começaram a adicionar ações da ArtGo a seus portfólios.

Então, em 20 de novembro, a MSCI reverteu sua decisão, citando a necessidade de uma análise mais aprofundada dos negócios da ArtGo. Então, suas ações caíram 98%.

A queda da China First Capital ocorreu em 27 de novembro. A empresa disse em um documento para a bolsa de valores que não estava ciente de uma razão para os movimentos. Mas acrescentou que uma empresa controlada por seu presidente, Wilson Sea, havia vendido ações da China First Capital, que foram dadas como garantia de um empréstimo.

As ações da Virscend, pertencente em parte à China First Capital, também caíram naquele dia. Nos documentos apresentados pela China First Capital, a empresa disse que havia vendido ações da Virscend como parte de um acordo colateral. / TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

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