Peyton Fulford para The New York Times
Peyton Fulford para The New York Times

Mercado pet movimenta mais de US$ 70 bi nos EUA

Algumas empresas chegam a oferecer a funcionários benefícios que se estendem aos animais, como 'licença-paternidade' para quem adota um cãozinho

Caroline Arbour, The New York Times

17 de março de 2019 | 06h00

Choupette tem duas camareiras pessoais, uma seleção de patês e croquetes em suas refeições diárias servida em pratos assinados por designers, e deverá herdar uma quantia polpuda da herança multimilionária do estilista Karl Lagerfeld. Ela tem quatro patas, uma longa cauda peluda e prefere brincar com pedacinho de madeira, de papel e sacolas de compras.

Lagerfeld, o dono da gata siamesa de 7 anos, a chamava “a gata mais famosa do mundo, e a mais rica”. E indiscutivelmente, uma das mais mimadas, embora ela também tenha dado a sua contribuição, noticiou The New York Times: ela inspirou alguns dos produtos de Lagerfeld, e, em 2014, ganhou 3 milhões de euros.

Choupette é um exemplo dos exageros a que podem chegar os donos de animais de estimação para os seus bichos. Em 2017, os americanos gastaram cerca de US$ 70 bilhões em cuidados com os seus pets, entre alimentos, cuidados veterinários e outros serviços, informou Anne Carrns em matéria para o Times.

“As pessoas estão muito mais inclinadas a considerar os seus animais como filhos, e a tratá-los como pessoas”, disse James Serpell, professor da Universidade da Escola de Medicina Veterinária da Pensilvânia. Embora a maioria das pessoas não tenha os recursos financeiros para transferir milhões de dólares para bichos de estimação, muitas querem que os seus companheiros tenham uma vida longa e saudável, e adquirem seguros para eles. Dois milhões destes pets foram segurados nos Estados Unidos e Canadá em 2017, segundo o artigo.

Algumas empresas oferecem aos funcionários benefícios para seus pets. “Estávamos convencidos de que os animais de estimação são uma parte da vida de uma família”, afirmou Gabby Slome, fundadora da Ollie, uma companhia de alimentos para cachorro que não só oferece aos funcionários descontos sobre os prêmios de seguro dos bichos, como também benefícios como “licença-paternidade” quando levam para casa um cachorro.

A indústria de cannabis logo identificou ali uma oportunidade. Martha Stewart, a decana da ciência do lar, associou-se recentemente a uma companhia canadense para desenvolver uma linha de produtos CBD, à base de maconha, voltada para pets. “Recebemos inclusive pedidos para a criação de receitas e até pomadas cicatrizantes para seres humanos e também para animais, como cães e gatos”, disse Martha ao Times. Mas não apenas para cães e gatos. Gambás e outros bichos entraram nas casas - e nos corações - dos seus proprietários.

Starfish, um gambá resgatado por um tratador de animais silvestres, tem um grupo de fãs online que o adoram. Este marsupial de olhinhos brilhantes está nos primeiros lugares da reclassificação de uma espécie considerada uma praga que vasculha latões de lixo.

“Proprietários de guaxinins, gambás, esquilos e pombos obtêm milhões de visualizações no YouTube e reúnem milhares ou mesmo milhões de seguidores no Instagram”, escreveu Gray Chapman no Times. Allison Sanchez, 49, participou recentemente de um evento de centenas de fãs de Starfish. “É legal ver as pessoas podem mudar de opinião sobre os bichos”, ela disse, “em vez de considerá-los apenas horríveis”.

Entretanto, é melhor deixar a criação de um animal silvestre para os especialistas. Danielle Stewart, 33, que comprou um guaxinim chamado Rocket há quatro anos, conhece muito bem as dificuldades que isso implica. Até mesmo encontrar uma babá para pets pode ser uma tarefa árdua.

Muitas vezes os integrantes da família oferecem ajuda, “mas todas as vezes que saímos de férias, ele teve um ataque de raiva quando voltamos”, contou.

Alguns destes animais têm muito em comum com seus irmãos domesticados. Starfish tem a mesma considerável presença online de Choupette, uma predileção por lixo, e, dizem alguns, até certa semelhança física. 

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