Etienne Laurent/European Pressphoto Agency
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Mictório público gera indignação entre os franceses

Espalhados pelas ruas de Paris, os mictórios ecológicos foram a alternativa encontrada para evitar que homens urinem nas ruas

Alissa J. Rubin e Elian Peltier, The New York Times

24 Agosto 2018 | 10h15

PARIS - Esta cidade, que durante séculos teve de lidar com homens urinando nas ruas, começou a disponibilizar urinóis públicos na década de 1830. Foi uma batalha perdida. Mas agora entra na batalha o mictório ecológico, o mais recente esforço da cidade para deter a urina nas ruas e becos.

Já foram instalados mictórios ecológicos, sem muito estardalhaço. Mas um que foi colocado na elegante e muito visitada Île Saint-Louis causou aquele tipo de clamor público que especialidade dos franceses: espirituoso, politicamente estridente e focado nas aparências.

O mictório se parece um pouco com uma lata de lixo de metal retangular, a não ser pelo fato de que algumas plantas podem crescer para fora do latão vermelho brilhante, por causa do efeito fertilizante da urina que se mistura com a palha que fica dentro da lata. Uma pequena aba se projeta nas laterais para esconder as partes dos homens.

O blogueiro Kevhoney Fautra disse que a ideia de fazer os homens urinarem em uma caixa cheia de palha, e não na rua, foi boa. Já a execução... bem, não tanto.

"É muito melhor do que sentir aquele cheiro por toda parte", comentou Fautra. "Mas não foi bem feito, é agressivo. A cor vermelha chama muita atenção".

Algumas pessoas da vizinhança concordam e pediram que o mictório fosse removido.

Mas o administrador local Ariel Weil afirmou que, mesmo que seja necessário "ajustar uns detalhes", já que o mictório é visível do rio Sena, ele não será removido.

"Recebo reclamações o tempo todo a respeito de pessoas urinando nas pontes e nos muros", contou. "A urina na rua é um problema real".

A Faltazi, empresa que fabrica os mictórios em Nantes, na França, disse que colocá-los onde todos os aceitam é essencial para conquistar o apoio público.

Em Nantes, as autoridades municipais instalaram oito mictórios depois de uma consulta aos moradores da cidade, segundo Victor Massip, designer da Faltazi que criou o conceito.

"Na Rue de la Bletterie, que foi considerada a mais pútrida da cidade, apenas um dos banheiros coleta 140 litros a cada três dias", explicou Massip. "São 280 pessoas fazendo xixi. Imagine isso na rua".

Paris vem tentando combater a urina em locais públicos desde o século 19. Fez testes com toaletes públicos que tinham lugares para até cinco ou seis homens de cada vez. Modelos mais recentes, em meados do século XX, ofereciam espaço para um ou dois homens. Ainda assim, a micção pública persistiu.

O mictório ecológico pode ter seus críticos, mas vários homens disseram que provavelmente foi uma boa ideia.

"É bom para ver as incivilidades de Paris", disse Ben Bel Kassem, que morava perto do mictório ecológico da Île Saint-Louis. "A localização não é das melhores, poderia ser mais discreto", disse ele sobre o mictório. "Mas é muito bom depois de uma cerveja à noite".

O turista britânico Steward Clark disse que consegue se imaginar usando o novo mictório. "Mas só depois das duas da manhã, não durante o dia".

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