Valerio Mezzanotti para The New York Times
Valerio Mezzanotti para The New York Times

Gucci opta por um modelo de negócios mais sustentável

Grife de luxo buscar tornar sua cadeia de produção carbono-neutro

Elizabeth Paton, The New York Times

08 de outubro de 2019 | 06h00

A corrida para tornar-se a marca  de moda mais sustentável já começou. Quando Gabriela Hearst apresentou a sua coleção de verão 2020 na Semana da Moda de Nova York, ela a definiu como uma “inovação no setor”. A estilista, famosa por seus tricôs de caxemira, não estava se referindo  aos seus looks mais recentes.

Gabriela disse que produziu o primeiro desfile carbono-neutro, em um momento em que a vigilância da pegada ambiental da semana da moda alcança novos patamares.

Pouco depois, a Gucci, a grande potência da moda de luxo, anunciou que também assumiu uma maior responsabilidade pelo preço que a sua companhia impõe ao planeta. Marco Bizzarri, diretor executivo da Gucci, informou que a marca realizou um desfile carbono-neutro na semana da moda de Milão em meados de setembro.

A Gucci “compensou tudo, das emissões produzidas nas viagens dos seus mil convidados e 900 funcionários, incluindo modelos, equipe de produção e funcionários da própria companhia, usando madeira reciclada no palco e convites de papel certificados pelo Conselho de Manejo Florestal (FSC na sigla em inglês)”  disse Bizzarri.

A Gucci é a primeira marca de moda a ganhar o ISO 20121, a certificação para o seu desfile, ele disse, referindo-se a um padrão de gestão de eventos sustentável da Organização Internacional de Normatização.

A companhia já monitora o seu consumo de água e energia elétrica, e o lixo, que são compensados pela Keting, o seu grupo controlador francês.

A Gucci tornou toda a sua cadeia de suprimentos completamente carbono-neutra, segundo Bizzarri. A companhia compensou todos os gases do efeito estufa de fornecedoras e fabricantes de matérias-primas de terceiros que produzem para a marca, bem como as suas operações diretas.

Tornar-se carbono-neutra não significa que a companhia tenha parado de produzir emissões prejudiciais. A compensação do carbono significa compensar financeiramente pelas emissões que uma empresa produz, cancelando as emissões de gás do efeito estufa em algum outro lugar do mundo. O dinheiro pago para comprar compensações apoia programas destinados a reduzir as emissões.

Atualmente, mais de 90% de todas as emissões da Gucci se originam de sua cadeia de suprimentos e fontes de matérias-primas, informa um documento da companhia.

Sua nova iniciativa tem sido possível graças a dados coligidos de mais de mil fornecedoras nos cinco continentes, destinados à declaração de lucros e perdas ambientais, com a finalidade de aprimorar a análise da pegada ambiental da companhia e estudar onde ela pode tornar-se mais eficiente.

Em 2015, a Gucci lançou uma iniciativa para a redução das suas emissões de gases do efeito estufa em 50% até 2025. Em 2018, havia reduzido estas emissões em 16%, ou 35% da sua atual pegada ambiental. Ela contribuirá com recursos igualmente distribuídos em todas as iniciativas da ONU para a proteção das florestas em países como Peru e Indonésia.

“Sabemos que não é perfeito, mas não podemos ficar somente esperando as inovações tecnológicas para melhorar a crise do clima”, afirmou Bizzarri. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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