Rebecca Smeyne / The New York Tiems
Rebecca Smeyne / The New York Tiems

De Hollywood ao universo dos esportes: o boom de estilistas na era do Instagram

O aplicativo Wishi, por exemplo, aproxima público de profissionais da moda, garantindo conselhos básicos para eventos específicos; o app foi baixado 200 mil vezes desde setembro de 2019

Vanessa Friedman, The New York Times

30 de janeiro de 2020 | 06h00

Já é do conhecimento de todos que poucas pessoas que comparecem em público em Hollywood podem escolher o que vestir. Para isto, elas recebem a ajuda de um exército de indivíduos cada vez mais famoso, cujo trabalho consiste em aconselhá-las a respeito do look mais apropriado para a ocasião.

O que pouca gente conhece é que agora esta prática se estende a todos os níveis do universo da moda. E este poderá tornar-se um dos setores de grande crescimento. “Agora, escolher a roupa de baixo sozinhos ficou complicado", disse Brooke Wall, criadora do Wall Group. Ela foi uma das primeiras empreendedoras a perceber o potencial do estilo como setor a desenvolver.

“Mas, ao mesmo tempo, todo mundo faz uma foto em seu celular toda vez que se prepara para sair. O que a pessoa deve fazer é alinhavar, antes de mais nada, fornecer um retrato de si própria – se o seu estilo é conservadora, criativo, o que for", explicou Wall.

Como resultado, há estilistas para todo tipo de perfil: primeiras damas, jogadores de basquete, influenciadores, pessoas da nobreza. Inclusive pilotos de corrida. E até os jogadores não muito conhecidos da Liga Nacional de Futebol Americano.

Erica Hanks, de 42 anos, é uma ex-estilista de revista que montou um centro de criação em Charlotte, na Carolina do Norte, longe de capitais da moda como Nova York e Los Angeles, mas com sede no Hall of Fame da NASCAR. Embora a demanda de conselhos na hora de vestir tenha "nascido" em Hollywood, logo saltou para o campo dos esportes.

Não demorou muito para que os jogadores se dirigissem para o vestiário como se fossem para a passarela. No caso da Associação Nacional de Basquete e da NFL, eles ensaiavam para tornar-se conhecidos e posar no tapete vermelho ou para serem os primeiros a ser escolhidos. Para nomes como a Russell Westbrook lançarem novas linhas de moda, e para Victor Cruz e Odell Beckham Jr., entre outros, para se tornarem ícones do estilo.

Por que atletas do próprio quintal de Erica Hanks não deveriam ter uma oportunidade semelhante? Agora, ela trabalha com clientes como Trai Turner, Captain Munnerlyn e Graham Gano dos Panthers; Thomas Davis Sr. e Melvin Ingram dos Los Angeles Chargers; e os pilotos do circuito de corrida da NASCAR Martin Truex Jr., Kevin Harvick, Kyle Larson e Clint Bowyer.

Em muitos aspectos, os atletas apresentam mais desafios por causa do físico do que os atores. Em razão de sua profissão, em geral eles não se enquadram nos tamanhos padrão. Larson, por exemplo, tem 1,68 de altura, pesa 61 quilogramas e o seu tórax  mede 71 centímetros; Turner tem 1,91 de altura, pesa 145 quilogramas e tem um tórax de 107 centímetros. Eles exigem tamanhos que vão do extra pequeno a XL cinco.

Qual será o próximo passo agora? A Liga Nacional de Hockey? Os arremessadores de peso? Por que não? Erica questiona sobre isso. Na realidade, ela e Brooke Wall concordam com Karla Welch, uma estilista representada pelo Wall Group, em que agora estamos caminhando cada vez mais para uma época em que o styling, segundo Karla, “será considerado um serviço” como o Wi-Fi ou o de entrega de uma mercearia. Um serviço ao qual todos deveriam ter acesso, se quisessem.

Karla Welch hoje é proprietária e diretora de criação do Wishi, um aplicativo criado inicialmente por Clea O’Hana para oferecer sugestões de moda com colaboradores. O aplicativo aproxima os usuários aos estilistas para aconselhamento profissional.

Os assinantes podem escolher entre conselhos básicos para um evento específico e uma assinatura mensal para o serviço completo, o que oferece aos estilistas aprovados por Karla o acesso aos guarda-roupas dos usuários. O aplicativo foi baixado 200 mil vezes desde a sua introdução, em setembro, informou a companhia. “Quero democratizar o negócio”, afirmou Karla. “Está na hora de prestar ajuda e acesso”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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