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Mogli: filme supera longos atrasos e finalmente chega aos cinemas

Obra de Andy Serkis teve jornada longa e difícil até chegar na Netflix

Bruce Fretts, The New York Times

12 Dezembro 2018 | 06h00

Encontrar um protagonista pré-adolescente que pudesse carregar nas costas um filme de grande orçamento e muitos efeitos especiais não parecia tarefa simples. Mas escalar Rohan Chand pode ter sido a parte mais fácil de produzir a nova adaptação da Netflix, ‘Mogli - Entre Dois Mundos’. “Adoraria dizer que testamos milhares de pessoas antes de encontrá-lo, mas não foi bem assim”, disse o diretor do filme, Andy Serkis. “Ele foi a terceira pessoa que fez o teste para o papel. Tivemos muita sorte”.

Quase todas as outras decisões sobre o filme, que agora tem estreia mundial e também está disponível na Netflix, foi uma luta, incluindo longos atrasos, competição inesperada, conversas com vários diretores e um plano de distribuição que ainda estava no papel poucos meses atrás.

No momento em que esta última versão da amada história de Rudyard Kipling chegou às telas, já havia se passado quase sete anos de produção. Serkis, para quem o filme deveria ter sido uma grande estreia na direção, dirigiu e lançou um outro longa durante o período em que trabalhava em ‘Mogli’. Chand, que tinha 10 anos na época dos testes de elenco, agora tem 14.

Produção da Warner Bros, ‘Mogli’ foi concebido como um híbrido caro e complexo entre live-action e animação com captura de movimentos, tudo em busca de uma ampla estreia nas salas de cinema. Mas, em julho de 2013, a produção encontrou seu primeiro grande revés: a Disney anunciou que estava criando sua própria versão de The Jungle Book. Jon Favreau (‘Homem de Ferro’) depois foi nomeado seu diretor.

O chamado fenômeno dos filmes “gêmeos” não é muito raro. É menos comum que dois grandes estúdios adaptem o mesmo livro ao mesmo tempo, mas The Jungle Book está em domínio público. E a Disney, que lançou uma versão animada em 1967, tinha os recursos e o histórico da marca para fazer uma nova versão rapidamente.

Em dezembro de 2013, a Warner Bros estava bastante envolvida em conversações com o diretor Alejandro Iñárritu (‘O Regresso’). Alguns meses depois, relatos diziam que Iñárritu estava fora do projeto e que Ron Howard poderia estar dentro. Ele não estava. Naquele mês de abril, o Hollywood Reporter disse que Serkis, até então mais conhecido por ‘O Senhor dos Anéis’ e ‘Planeta dos Macacos’, havia sido contratado.

Serkis disse que tinha confiança de que estava fazendo um filme totalmente diferente: sua abordagem era mais sombria e, no final das contas, acabou recebendo classificação etária de 13 anos, por causa da violência. Em resenha no Times, Glenn Kenny disse que o filme tinha “muito mais sujeira, sangue e morte do que qualquer outra adaptação de Kipling”. 

“Nosso filme nunca será um filme para toda a família”, disse Serkis. Em parte por causa da complexidade da animação, Serkis percebeu que não conseguiria bater a Disney. O ‘Mogli’ de Favreau, com classificação livre e uso limitado da tecnologia de captura de movimento, estreou em abril de 2016. Foi um grande sucesso, e a Warner Bros decidiu adiar o filme de Serkis até o outono de 2018.

Por um breve momento, o estúdio explorou um tratamento mais familiar do material, mas “não funcionou”, disse Serkis. Enquanto isso, Serkis atuou em ‘Planeta dos Macacos: a Guerra’ e ‘Pantera Negra’. No ano passado, fez sua estreia na direção, mas não com ‘Mogli’. Era ‘Uma razão para viver’, uma história de amor. “Foi um período bem louco”. Serkis estava finalizando seu corte final de ‘Mogli’ neste verão, quando veio a notícia de que a Warner Bros vendera ‘Mogli’ para a Netflix. “Fiquei chocado, claro”, disse Serkis. A Warner Bros não quis comentar o caso.

A estratégia inicial da Netflix, como anunciado em julho, era empurrar o lançamento até 2019, com planos indefinidos para uma estreia limitada no cinema. No mês passado, a Netflix mudou os planos para o filme mais uma vez, fechando o lançamento para este ano, na tentativa de puxar a estreia nos cinemas. Serkis ficou satisfeito. “Falei: ‘olha só, este é um filme de cinema e merece uma audiência de cinema’”, disse ele. “E eles fizeram jus ao projeto, totalmente”.

A maioria dos espectadores, no entanto, vai ver ‘Mogli’ online. Chand, estrela do filme, disse que estava entusiasmado com a ideia. “Netflix é a principal maneira pela qual a minha geração consome mídia. Nosso objetivo era que esse filme fosse visto pela maior quantidade de pessoas possível, então é ótimo que a Netflix tenha comprado”.

Serkis disse estar envolvido em outros projetos, incluindo uma adaptação de "A Revolução dos Bichos", de George Orwell, que ele irá produzir e dirigir para a Netflix. “Está nos estágios iniciais de desenvolvimento, então há outros filmes que provavelmente vão estrear antes”, disse Serkis, parecendo cansado de sua longa jornada ‘Mogli’. “É mais um filme de animais falantes, então preciso fazer outra coisa junto, com certeza”.

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