Jenn Ackerman para The New York Times
Jenn Ackerman para The New York Times
Dominic P. Papatola, The New York Times

20 de fevereiro de 2019 | 06h00

MINNEAPOLIS, MINNESOTA - Os artistas do Theater 55 acreditaram que a sua montagem de Hair seria tão subversiva quanto a produção original de meio século atrás. Não que o musical de rock contra o establishment fosse inovador em um país  polarizado. Era o elenco: Claude, o líder tímido de uma tribo de hippies defensores do amor livre, tinha 53 anos. O irreverente Berger, 59. Woof, que canta a apologia de tudo o que é carnal, 71.

Esta nova montagem é a primeira do Theater 55, uma companhia que celebra os artistas mais velhos. O elenco de 26 componentes cantando sobre a Era de Aquário se diferenciava pela abundância de rugas sem o menor arrependimento. Quando os homens falavam dos seus cachos "longos, brilhantes, sedosos", era difícil não notar a escassez de cabelos e cachos mais grisalhos do que louros e reluzentes.

"Não estamos tentando fazer de conta de que temos pouco mais de vinte anos", disse Brent Berheim, que trabalha para uma financeira, mas fez o papel de Claude no espetáculo. "Sim, o show fala da juventude, mas também de um ambiente e de uma época."

Hair fascinou os críticos na estreia na Broadway, em 1968, e versões cover de canções do musical, como Aquarius e Good Morning Starshine, tornaram-se obrigatórias nas rádios. Alguns ficaram pasmos com a linguagem do musical e sua desinibida descrição da sexualidade. Mas, ao longo dos anos, o espetáculo se transformou em um clássico moderno.

Este elenco de Hair tinha níveis variados de experiência de palco. Alguns haviam frequentado o circuito teatral durante anos ou tinham créditos de músicas e dança. Outros nunca haviam pisado em um palco.

"Sejam eles jovens ou mais velhos, notam-se ainda as mesmas inseguranças, as mesmas perguntas e a mesma sensação de que se você abre a sua mente e o seu ser a uma nova aventura, irá aprender alguma coisa", disse Richard Hitchler, fundador do Theater 55.

E uma coisa que a companhia aprendeu foi que o espetáculo ainda provoca uma reação. O pai de Angela Walberg, que combateu na Guerra do Vietnã, não pôde vê-la no papel de Sheila. Ele lhe lembrou da volta para casa depois da guerra, quando passaram a chamá-lo de "assassino de crianças".

Brenda Starr, 70, esqueceu do ataque cardíaco sofrido um mês antes da noite de estreia a fim de aparecer no show. Brenda viveu o movimento dos direitos civis e vê o trabalho do Theater 55 como outra frente de luta pela justiça social. "Não queremos aceitar a situação atual e o conceito social do envelhecimento", afirmou. "Não somos pessoas que podem ser postas de lado ou rejeitadas."

Será que o elenco ficou nu na famosa cena do final do I Ato? Hitchler disse que os atores tomaram decisões pessoais a cada noite do espetáculo, embora não se tratasse de modéstia. "Honestamente, nem todos podem se despir tão depressa”, afirmou.

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