Rebecca Smeyne para The New York Times
Rebecca Smeyne para The New York Times

Mostra sobre Velvet Underground é um passeio pela história do rock

Uma mostra sem disciplina sobre uma banda indisciplinada

Andre R. Chow, The New York Times

24 de outubro de 2018 | 06h00

John Cale não passou muito tempo na Velvet Underground. Quatro anos depois de ter fundado o grupo com Lou Reed, em 1964, esse o pôs para fora da formação sem a menor cerimônia.

“Era uma arte sem disciplina”, ele disse enquanto supervisionava “The Velvet Underground Experience”, a mostra sobre o influente grupo de rock de vanguarda, inaugurada este mês em Nova York. “Era uma banda cheia de energia, frívola e divertida”.

A mostra, que se estende por 1.100 metros quadrados e dois andares, finalmente está na cidade natal da banda depois de ter estado em Paris, onde recebeu 65 mil visitantes. Assim como o grupo, a mostra tem a mesma falta de disciplina: trechos de shows tocando a todo volume, competindo pela atenção do público com vídeos pornográficos e pôsteres caleidoscópicos. Filmagens em preto e branco aparecem de relance nas telas; as vozes solenes dos narradores ficam praticamente sufocadas por áudios de concertos ao vivo pulsando entre imponentes homenagens visuais a realizadores, pintores e compositores de clássicos.

Embora grande parte da mostra se concentre em Nova York, ela começa com a infância problemática dos seus fundadores: Reed, que cresceu em Long Island, e Cale, que passou a primeira infância no País de Gales. Na galeria, Cale piscou para a imagem de uma versão adolescente dele mesmo de cabelos bem penteados, tocando piano em uma banda de jazz.

Fotos em preto e branco do fotógrafo do “Village Voice”, Fred McDarrah, cobrem uma parede, captando a fúria dos protestos conta a Guerra do Vietnã e o ousado experimentalismo de criativos espaços de vanguarda como La MaMa e a Cinemateca dos Realizadores. Foi neste espaço fértil que Cale e Reed se conheceram e começaram a tocar juntos, desenvolvendo canções dissonantes e cruas em suas letras, como “Heroin” e “I’m Waiting for the Man”.

Cale parou um pouco diante de uma foto de Marlon Brandon e James Baldwin apertando as mãos. “Os retratos na parede são retratos de uma espécie de revolução cultural”, afirmou.

A banda chamou a atenção de Andy Warhol, que se tornou seu agente e injetou o grupo e sua estética ameaçadora em seus acontecimentos multimídia baseados no confronto. “Falávamos para algo que era visceral e interno, que era a heroína e as drogas e as pessoas ferindo a si mesmas”, explicou Cale.

Em 1965, Warhol acrescentou a modelo e cantora alemã Nico ao grupo e a levou para uma série de espetáculos sem compromisso intitulado “The Exloding Plastic Inevitable”. Cale riu ao ver uma foto de Nico dirigindo um carrão esculhambado com a banda a bordo.

Cale deixou o grupo e começou uma frutífera carreira solo compondo suas músicas e produzindo; atualmente, está gravando um álbum que deverá ser lançado em 2019.

Ele afirma que a Nova York de hoje é uma sombra da que inspirou a música da Velvet Underground.

“É estranha; é como se eu estivesse olhando para uma réplica”, disse. Nos anos 1960, eu não ligava para a sujeira. Ela era inspiradora. Ela nos impulsionava em uma direção para que realizassem alguma coisa”.

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