Roman Pilipey / EPA, via Shutterstock
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Para uma vida mais longa, tente um dia no museu

Pesquisadores da Grã-Bretanha descobriram que as pessoas que frequentam museus, teatro e ópera têm menos probabilidade de morrer no período do estudo do que aquelas que não o fizeram

Maria Cramer, The New York Times

12 de fevereiro de 2020 | 06h00

Numerosos estudos têm mostrado que a arte e a música ajudam a aliviar a dor crônica, prevenir os sintomas do mal de Alzheimer e da demência e acelerar o desenvolvimento do cérebro das crianças. Hoje, há evidências de que uma mera exposição às artes ajuda as pessoas a viverem mais.

Pesquisadores de Londres acompanharam milhares de pessoas de 50 anos de idade ou mais durante um período de 14 anos e concluíram que as que foram a um museu ou assistiram a um concerto uma ou duas vezes no ano tinham 14% menos de probabilidade de morrer durante esse período do que aquelas que não tinham nenhuma atividade desse tipo.

As chances de viver mais aumentaram no caso das pessoas mais frequentemente envolvidas com artes, segundo o estudo, publicado em dezembro da revista The BMJ, que antes se chamava The British Medical Journal. As pessoas que foram a um museu ou ao teatro uma vez ao mês, ou a cada dois meses, tiveram um risco reduzido de 35% de morrer nesse período, segundo o estudo.

O estudo incluiu fatores socioeconômicos, como renda dos participantes, nível de educação e mobilidade, disse Andrew Steptoe, coautor do trabalho e professor da University College London. “E mesmo levando tudo isso em conta, concluímos que existe uma diferença em termos de duração de vida das pessoas mais envolvidas com as artes”, disse o professor.

Não foi examinado que tipo de música, arte ou teatro levaria a uma vida mais longa, afirmou o professor. Mas os pesquisadores acreditam que as pessoas que convivem mais com artes têm probabilidade de se envolver mais com o mundo. “Sabemos que ter objetivos na vida é importante. Um envolvimento ou um entusiasmo com as artes retém e mantém seu objetivo na vida”. De acordo com o estudo, o envolvimento nas artes reduz a solidão, promove empatia e a inteligência emocional, impedindo as pessoas de se tornarem sedentárias.

Estudos futuros devem considerar como o envolvimento com as artes desde a renda idade pode influir na expectativa de vida de uma pessoa, explicaram os autores. Os resultados entusiasmaram os promotores de artes e teatro, que esperam que a pesquisa dê um impulso no sentido de restaurar as aulas de música e artes que foram abolidas das escolas nos Estados Unidos.

“Com muita frequência ar artes são vistas como algo supérfluo, mas elas têm um papel fundamental nas nossas vidas”, disse Heather A. Hitchens, diretor executivo da American Theater Wing, que financia produções e cursos. Segundo muitas pessoas, o estudo é também um lembrete do quão crucial é tornar as artes mais acessíveis para as pessoas de todos os níveis de renda.

Para Gabriella Souza, porta-voz do Walters Art Museum em Baltimore, Maryland, os resultados desse trabalho não surpreendem. Recentemente, o museu fez uma pesquisa junto aos visitantes, indagando qual a razão de virem ao museu e 20% das pessoas disseram que vinham em busca de “paz e rejuvenescimento”. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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