Kelly Burgess para The New York Times
Kelly Burgess para The New York Times
Carolyn Shapiro, The New York Times

03 de maio de 2019 | 06h00

            

             

GLOVER, VERMONT - A entrada no celeiro semidestruído que hospeda o Museu da Vida Cotidiana parece uma coleção de bugigangas. É uma coleção de bugigangas, mas com um objetivo. Chamada a “Nova coleção de objetos encontrados em celeiros da Nova Inglaterra: um arquivo em perene expansão preservado pela comunidade”, esta mostra consiste de itens que pertenceram a moradores de toda a região, resgatados por eles dos depósitos de lixo das fazendas e dos campos ao seu redor.

O Museu da Vida Cotidiana, localizado em uma parte de Vermont conhecida como Northeast Kingdom, conta a história e destaca os objetos corriqueiros, utilitários, insignificantes da nossa existência, e os transforma em algo digno da nossa atenção. Mostras anteriores focalizaram a escova de dentes, alfinete, sinos, apitos e até mesmo pó. A próxima mostra, que permanecerá um ano inteiro e que vai ser inaugurada em junho, será uma longa reflexão sobre as tesouras, será .

“Parte da magia de uma mostra realmente importante é o fato de atuar em diferentes níveis”, afirmou Richard Saunders, um professor de história da arte da Faculdade Middlebury em Vermont e diretor do seu Museu da Arte. “Quem faria uma mostra sobre o pó? Então você começa a pensar sobre o caso’.

O museu está ao lado da casa de Clare Dolan, sua fundadora e curadora que se define “diretora de operações e filósofa”. Artista e manipuladora de bonecos, ela abriu o museu em 2011, depois de fazer uma profunda limpeza no seu celeiro, e escolheu como primeiro tópico da mostra os fósforos. O seu objetivo é reconhecer o extraordinário no ordinário. “Nós precisamos celebrar o que é trivial e ordinário, porém belo”.

A coleção do museu é apresentada em um celeiro de madeira, sem calefação, construído há 70 anos, com um telhado cheio de goteiras. Não há seguranças para proteger a sua arte, e a entrada é franca, embora haja uma caixa para donativos. No livro dos visitantes estão os nomes de pessoas de lugares tão distantes quanto a Suécia. No interior, uma seleção de obas inusitada, pormenorizada e cuidadosamente curada revela o que Clare, 52, chama de “o poder de contar uma história” dos objetos comuns.

“Para mim, o museu é uma maneira de pensar as coisas em que quero pensar”. As ideias sobre os temas das exibições do museu muitas vezes começam com uma sugestão ou um donativo intrigante. A da escova de dentes foi inspirada por uma escritora de Montpelier, Vermont, que deu a Clare uma caixa repleta de escovas de dentes e de outros acessórios para a higiene bucal. Um contribuinte constante para a coleção, mais tarde, doou uma escova de dentes com um cabo no formato de uma mulher esbelta; a escova é a cabeça da mulher.

Peças de cada exposição especial passam a fazer parte da coleção permanente do museu. “Nunca irão me faltar ideias para as mostras, e sempre estarão acessíveis”. Clare é enfermeira em uma unidade de terapia intensiva de um hospital próximo. Além disso, ela ajuda a organizar um festival anual itinerante, ‘Banners and Cranks’, uma antiga tradição em que a história é cantada e acompanhada por painéis pintados. 

Ursula Populoh, artista têxtil e manipuladora de bonecos de 77 anos, de Baltimore, Maryland, é uma entusiasta desta arte e se tornou o que Clare chama de “filósofa residente” no museu. Os filósofos residentes moram em um pequeno apartamento em outra parte do celeiro.

Durante a sua permanência em agosto de 2017, Ursula cuidou da horta de Clare. Também trabalhou como guia do museu. “Esta valorização do que usamos no dia a dia é totalmente ausente na nossa cultura e está representada no museu de Clare”, explicou. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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