The New York Times
The New York Times

O novo souvenir de sucesso dos museus: as máscaras faciais

Venda de máscaras com imagens de pinturas famosas vira uma boa alternativa de renda para instituições culturais

Alex Marshall, The New York Times - Life/Style

03 de agosto de 2020 | 05h00

LONDRES - Segunda-feira, hora do almoço, uma fila contínua de pessoas entrava na loja de presentes da National Gallery, na capital britânica, à procura de lembranças para assinalar sua primeira visita a um museu desde que a Grã-Bretanha começou a sair do lockdown.

Mantendo o distanciamento social, os visitantes olhavam nas prateleiras onde há guarda-chuvas National Gallery, gin National Gallery, estojos de lápis National Gallery. Mas muitos eram atraídos rapidamente para a exposição de máscaras faciais do museu.

“São realmente legais”, disse Jessica Macdonald, uma estudante de 16 anos. Ela pegou uma decorada com Os girassóis de Vincent Van Gogh, à venda por 9,50 libras (cerca de US$12). “Minha mãe procura essas mais bonitas há séculos, para a gente não ter  de pôr estas aqui”, acrescentou indicando a máscara azul de uso cirúrgico que ela estava usando.

Lorna May Wadsworth, 40, artista, também comprou uma máscara, com um quadro floral de Ambrosius Bosschaert, o Velho, e acrescentou que com sua roupa muito colorida ela se sentia “uma árvore de Natal’.

As máscaras são alguns dos produtos mais vendidos na loja de presentes desde a reabertura do museu, no dia 8 de julho, disse Yumi Nakajima, uma assistente da loja. Mas nem todo mundo parecia impressionado. Alison Ripley, 66, observou que os desenhos florais são delicados. “Por que não este?” ela falou, apontando para um cartão postal com o quadro Vênus ao espelho, de Diego Velázquez, com a deusa nua deitada em uma cama.

“Temos de fazer máscaras mais modernas se quisermos que os jovens as usem”, acrescentou.

Judith Mather, a diretora de compras da National Gallery, falou em uma entrevista por telefone que a decisão de vender as máscaras foi tomada na última hora. Em junho, ela estava em um supermercado. “Estava olhando as pessoas, e suas máscaras pareciam tão cirúrgicas e feias”, contou. “Pensei então que um pouco de arte seria realmente diferente e chamaria a atenção”.

O Metropolitan Museum of Art de Nova York, conseguiu um incentivo financeiro. Leanne Graeff, gerente sênior da equipe de desenvolvimento de produtos, disse em entrevista por telefone que as máscaras são uma maneira fácil para os museus conseguirem dinheiro. O Met já vende quatro máscaras on-line com desenhos de telas impressionistas e cenas de Nova York, e uma variedade maior  está sendo esperada  quando o museu reabrir, no final de agosto.

Os desenhos  das máscaras dos museus variam consideravelmente. Os Uffizi de Florença estamparam seu logo em todas as suas máscaras, como fazem as casas de moda italiana nas suas bolsas. O Tate, que tem vários museus na Grã-Bretanha, preparou uma variedade de máscaras com pinturas como a de Turner, Pôr do sol em Veneza.

O museu que claramente teve o maior sucesso na venda de máscaras faciais até o momento é o Klimt Villa, de Viena, um museu instalado em um dos antigos ateliês de Gustav Klimt. Em março, o museu teve de fechar quando a Áustria decretou o lockdown, contou Baris Alakus, o diretor, e logo ficou precisando desesperadamente de recursos.

“Somos um museu privado, por isso não conseguimos apoio do governo”, disse Alakus. “Foi uma situação muito crítica”.

Então Brigitte Huber, uma designer de moda, bisneta de Klimt, sugeriu que se produzissem máscaras para ajudar a levantar fundos. Ela mostrou um simples desenho azul com um toque de bordado branco que lembrava os quadros de Klimt, e as fez com o mesmo material usado para fazer os seus macacões para pintar.

O museu, que reabriu em maio, vendeu mais de 6 mil até o momento, a 20 euros cada uma (cerca de US$ 23). “Com o dinheiro pagamos todas as contas”, disse Alakus.

Nem todos os museus estão vendendo máscaras para levantar dinheiro para poder operar. O museu de arte Stedelijk, de Amsterdã, vende máscaras desenhadas por Carlos Amorales, um artista mexicano cuja exposição no museu foi suspensa pela pandemia de coronavírus. As dele têm o desenho de uma espécie de mariposa que se mexe quando o usuário respira ou conversa. Os lucros estão sendo usados por Amorales para fazer máscaras para os trabalhadores mexicanos de rua.

O Stedelijk poderia encomendar mais máscaras a outros artistas, disse Rein Wolfs, o diretor do museu, em uma entrevista por telefone. “Esta é uma oportunidade perfeita para artistas necessitados,” observou. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

The New York Times Licensing Group - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito do The New York Times.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.