Mauritshuis/Google Arts & Culture
Mauritshuis/Google Arts & Culture

Museu virtual leva obras de artista holandês para as telas de celulares

Um aplicativo desenvolvido em parceria entre o museu Mauritshuis e o Google permite ver imagens em alta resolução do pintor Johannes Vermeer

Nina Siegal, The New York Times

21 de dezembro de 2018 | 06h00

AMSTERDÃ - O pintor Johannes Vermeer, cujo olhar capturou a beleza da vida doméstica holandesa, não era um artista prolífico: há apenas 36 quadros confirmados como sendo de sua autoria. Ainda assim, os interessados em ver a obra dele tinham que viajar muito. Até agora. O museu Mauritshuis, de Haia, dono daquela que é provavelmente a obra-prima mais conhecida de Vermeer, 

“Moça com o brinco de pérola", formou uma parceria com o Google Arts & Culture em Paris para desenvolver um aplicativo de realidade aumentada que cria um museu virtual com todas as obras do artista. Grandes museus de Nova York, Washington, Amsterdã e Paris, entre outros, deram sua contribuição.

O aplicativo gratuito Meet Vermeer, do museu, pode ser acessado por qualquer smartphone equipado com câmera. “Trata-se de um daqueles momentos em que a tecnologia faz algo que seria impossível no mundo real, pois esses quadros nunca foram reunidos numa exposição", disse Emilie Gordenker, diretora do Mauritshuis. Ela disse que alguns dos quadros do século 17 são frágeis demais para o transporte, enquanto outros pertencem a coleções particulares. Mas, mesmo sob circunstâncias diferentes, é improvável que todos os proprietários estivessem dispostos a abrir mão de seus premiados Vermeers ao mesmo tempo.

Mas os 18 museus e coleções particulares estavam dispostos a proporcionar ao projeto imagens digitais em alta resolução dos seus quadros de Vermeer. Figura relativamente misteriosa que viveu e trabalhou em Delft, na Holanda, acredita-se que Vermeer tenha criado cerca de 45 quadros numa carreira que durou quase duas décadas. Algumas obras são tidas como perdidas. Além das 36 obras que a maioria dos estudiosos de Vermeer reconhece como autênticas, outros quadros são atribuídos a ele. 

O aplicativo permite que os visitantes aproximem a exibição de cada obra, examinando-as de perto.

Laurent Gaveau, diretor do Laboratório de Arte e Cultura do Google, organização sem fins lucrativos desenvolvida para experimentar com novas formas de tornar a arte e a cultura acessíveis ao público, disse que esse é o primeiro museu virtual criado pelo Google, mas seria fácil imaginar a produção de muitos outros. “Primeiro, queremos ver qual será a reação das pessoas a este modelo, tanto do ponto de vista tecnológico quando do ponto de vista do usuário, se a experiência é positiva e se pode ser aprimorada", disse ele.

Mesmo com a tecnologia cada vez mais sofisticada e a possibilidade de oferecer aos visitantes reproduções em alta qualidade no ambiente de um museu, Emilie disse não temer que isso desmotive os amantes da arte a viajar para ver as obras de verdade. “Quanto mais compartilhamos informações, incluindo imagens, mais acredito que as pessoas terão interesse em ver a obra de arte no seu verdadeiro lar", disse ela, “e também em vê-la enquanto presença física. Um dos motivos pelos quais os museus se tornam cada vez mais relevantes, e também uma razão do aumento do público, é o fato de termos aprendido a usar essas tecnologias digitais".

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