Fotos de James Hill para The New York Times
Fotos de James Hill para The New York Times

Museu zoológico russo encontra relevância renovada na era da genética

Uma "cápsula do tempo" para cientistas: cortesia de Pedro, o Grande

James Hill, The New York Times

27 de novembro de 2018 | 06h00

SÃO PETERSBURGO, RÚSSIA - Enquanto aguardava sozinho, minutos antes que se abrissem as portas do Museu do Instituto Zoológico  da Academia De Ciências da Rússia, Alexei Tikhonov ficou olhando para Masha, um mamute recém-nascido de 30 mil anos de idade, que ele trouxe da margem  de um rio siberiano onde o descobriu, 30 anos antes.

Masha, uma das principais atrações do museu, está guardada em uma vitrine fechada juntamente com centenas de outras, em uma das maiores coleções públicas de espécimes zoológicas do mundo. Os armários, construídos no final do século 19, e os troféus de caça dos czares têm um aspecto um tanto antiquado. Mas Tikhonov, o diretor do museu, não está muito preocupado. Às vezes, ele gostaria de dispor das aparelhagens modernas que muitos museus utilizam para informar os visitantes. 

Entretanto, ele tem recursos limitados e prefere comprar novas coleções e apoiar o trabalho de campo.

Esta coleção, formada inicialmente com aquisições feitas por Pedro o Grande, há três séculos, está assumindo um papel mais vital porque o mundo animal está sendo cada vez mais ameaçado. Estas peças em exibição ajudam a revelar informações genéticas e indicações preciosas e contribuir para a sobrevivência das espécies.

O museu, como outros grandes museus de história natural, é “uma cápsula do tempo de organismos”, segundo Ross MacPhee, do Museu Americano de História Natural de Nova York. “Para certos tipos de estudos, como sobre a ameaça às espécies e a perda da diversidade genética, ele está se revelando cada vez mais fundamental. Os museus de história natural são literalmente os únicos lugares em que é possível encontrar restos de boa qualidade”.

Um pouco distantes de Masha, no corredor, há dois condores californianos, provavelmente os espécimes mais antigos do mundo, trazidos a São Petersburgo em 1851, de Fort Ross, originalmente um posto avançado russo na Califórnia.

Quando os pesquisadores da Universidade do Estado da Califórnia começaram a buscar informações genéticas sobre o condor da Califórnia nos Estados Unidos  - atualmente existem menos de 500 - pediram ajuda a São Petersburgo. Uma pena de cada ave foi enviada então para a universidade.

E para certificar o destino do esguio maçarico (batuíra), os ornitologistas analisaram as informações contidas no DNA da pele e dos intestinos de exemplares do museu para estabelecer a localização exata dos habitats tradicionais da espécie, a fim de orientar a busca de aves remanescentes.

“Como as espécies começam a ser ameaçadas”, disse Tikhonov, “nossa esperança é que no futuro, em razão destes esforços na área da genética e de novos métodos, seja possível resgatar estas espécies”.

O Museu Zoológico recebe 300 mil visitantes ao ano, e Tikhonov esperava 7 mil naquele dia. No início da tarde, as guias estavam exaustas, mas, Polina Kenunnen, uma delas, sorriu quando perguntaram se ela podia conduzir outro grupo de crianças para uma volta pelo museu.

“Na Internet, muitas vezes há muitas bobagens”, ela disse enquanto subia as escadarias para chegar até o esqueleto de uma baleia azul e do busto de Charles Darwin. “Mas aqui podemos mostrar realmente e contar as coisas como elas são”.

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