Ben Sklar para The New York Times
Ben Sklar para The New York Times

A cidade de Bruce Springsteen recupera sua glória

Com a revitalização da orla marítima, o rock’n’roll não para em Asbury Park, Nova Jersey

Nick Corasaniti, The New York Times

02 de outubro de 2019 | 06h00

ASBURY PARK, Nova Jersey - A cidade foi colocada no mapa pela música. Bruce Springsteen a chamou de sua casa, elevando um clube apertado, o Stone Pony, a um patamar lendário e atraindo as atenções do país para um fértil cenário musical.

E quando Asbury Park encontrou tempos difíceis, o declínio acentuado que começou nos anos 80 e continuou por muito tempo, a música provou ser a pulsação que o manteve vivo. Agora, condomínios de luxo de milhões de dólares, restaurantes da moda e cervejarias artesanais conferem a Asbury Park a imagem resplandecente de uma das cidades balneárias mais incríveis do país.

Em agosto, um festival de dois dias foi o testemunho de que a base da ascensão de Asbury Park é a mesma de quando o Stone Pony foi inaugurado em 1974: a música ao vivo.

“Da última vez em que estivemos aqui, tocamos em um estacionamento atrás do Stone Pony”, relembrou Wesley Schultz, o vocalista principal dos Lumineers, quando a banda encerrou a primeira noite do segundo festival anual SeaHearNow de música, surfe e arte, com ingressos esgotados há meses, e atraiu dezenas de milhares de pessoas.

Pouco antes do 70º aniversário de Springsteen, no dia 23 de setembro, os fãs lotaram a praia enquanto artistas do rock, folk, blues, pop e funk fizeram uma retumbante e longa homenagem a Asbury Park - proclamando que a cidade, outrora a terra prometida da música, reclamava a sua condição de destino.

Há apenas dez anos, um festival desta magnitude seria inimaginável até para os sonhos mais ousados. O próprio Stone Pony teve de fechar brevemente as portas no final dos anos 90.

Em razão dos tumultos dos anos 70 por causa das desigualdades de oportunidades no trabalho, Asbury Park viveu um período difícil: os empregos desapareceram e a criminalidade aumentou. Hoje, as incorporadoras aproveitam da sua localização à beira-mar, do passeio de madeira recuperado e da sua mística.

“Asbury Park se encontra neste momento em um lugar que as pessoas adoram”, disse Danny Clinch, fotógrafo e músico que cresceu nesta região com seu amigo Tim Donnelly, um dos fundadores do festival.

Nos anos 2000, os dois realizaram duas exposições de arte e música, no calçadão, sonhando em expandir sua iniciativa em um importante festival, mas nenhum patrocinador quis apostar em Asbury. “Nos tivemos de vender às pessoas a ideia de que deveriam vir visitar Asbury”, contou Donnelly.

Mas isto mudou.

“Finalmente acertamos em cheio no momento”, disse Clinch.

O renascimento de Asbury Park é uma obra contínua. Partes da cidade lutam contra a pobreza. A criminalidade continua um problema e no verão há tiroteios. Mas quaisquer que sejam os desafios, a cidade continua florescendo.

“Vim pela primeira vez, há 15 anos, e dali em diante sempre tocamos no Pony. Dizíamos: ‘Aqui matam gente, o que está acontecendo’?” contou Donovan Frankenreiter, músico e ex-surfista profissional que tocou e surfou no festival. “Depois, eu voltei a cada ano e sempre encontrava um restaurante novo, um hotel novo. Nos últimos 15 anos este se tornou realmente um lugar badalado, legal de se ficar”.

Jake Clemons é o saxofonista da E Street Band de Springsteen e sobrinho de Clarence Clemons, um saxofonista que foi companheiro de Springsteen. Ele lembrou que costumava perambular pela região nos anos 90, e afirmou que a cidade tem um significado especial para ele.

“Seria ingênuo dizer que Asbury Park não influenciou qualquer músico que toca rock’n’roll”, afirmou. / TRADUCAÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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