Pixabay
Pixabay

Não me diga que você já desistiu de suas resoluções de Ano Novo

O que pode funcionar para fazer uma resolução acontecer é perceber que a mudança que você quer fazer não é uma ideia

Jane Coaston, The New York Times - Life/Style

18 de janeiro de 2022 | 05h00

É o início da terceira semana de janeiro, o que significa que há uma boa chance de você já ter desistido daquela resolução que fez na véspera de Ano Novo. Afinal, 80% delas não conseguem se manter.

Muitas resoluções comuns de Ano Novo geralmente são ideias bastante sólidas. Fazer mais exercícios é bom. (Ótimo, até!) Muitas pessoas se comprometem a beber menos álcool, se envolver em uma causa ou começar um novo hobby. E, claro, muitas pessoas querem perder peso, um objetivo com o qual tenho muita familiaridade.

Mas o problema de fazer uma resolução geralmente não é a resolução. É o processo. “A maioria das resoluções de Ano Novo exige que façamos grandes mudanças comportamentais, e a maioria dessas resoluções é feita sem pensar em um caminho claro para alcançá-las”, disse-me Supatra Tovar, psicóloga clínica e nutricionista. “Repetidas vezes, vi esse fator como o culpado mais comum por desistirmos de nossas resoluções.”

Em suma, tratamos as resoluções como desejos. Não seria bom se finalmente corrêssemos 32 quilômetros por semana ou escrevêssemos uma sinfonia?

Mas o que pode funcionar para fazer uma resolução acontecer, e o que funcionou para mim, é perceber que a mudança que você quer fazer não é uma ideia. É como se mudar para uma nova cidade.

Mudar-se é difícil e irritante. Você precisa embalar tudo o que possui e levar para sua nova casa. Você precisa mudar seu endereço de correspondência - e toda a sua concepção de mundo.

Quando me mudei de St. Louis para Washington, D.C., 12 anos atrás, senti falta dos meus amigos, é claro, mas também senti falta de saber como ir do ponto A ao ponto B. Onde ficava a mercearia? Como funcionava o metrô? Por que diabos havia tantas pessoas aqui que eram fãs de West Wing: Nos Bastidores do Poder? Mas, eventualmente, tornei-me uma cidadã da minha nova cidade. O que era novo e assustador tornou-se comum.

E, até certo ponto, foi isso que fiz para alcançar um objetivo específico. Depois de anos de altos e baixos com o tamanho do meu corpo e muita ansiedade e culpa sobre o papel que a comida desempenhava na minha vida, mudei para as cidades Escrevo Tudo que Como e Caminho 10000 Passos por Dia - tenho residências em ambas . Comecei a anotar todas as refeições em um aplicativo projetado para esse tipo de rastreamento. (Gravar o que você come pode ser útil para a perda de peso, pois incentiva uma alimentação mais consciente.) Até a data de publicação deste texto, documentei tudo o que comi por três anos, oito meses, uma semana e quatro dias. E por mais de um ano e meio, caminhei 10.000 passos por dia, onde quer que estivesse, sem me importar com o clima.

Isso me ajudou a ter um tamanho tolerável para mim.

Agora, não penso tanto em escrever tudo o que como ou em andar 10.000 passos por dia. Eu apenas faço isso, como quando vou a uma mercearia perto da minha casa, em vez da que ia quando morava em St. Louis. Em outras palavras, tornou-se automático.

E essa é a chave do sucesso. Uma vez que um comportamento se torna rotina, ficamos mais propensos a repeti-lo. "Muito do que fazemos todos os dias é habitual - repetimos automaticamente o que costumamos fazer com pouca tomada de decisão", disse a Dra. Lynn Bufka, diretora executiva associada de pesquisa prática e política da Associação Americana de Psicologia. “Nossa memória do que fazer - seja bom ou ruim - ‘gruda’ porque repetimos vários comportamentos com tanta regularidade por tanto tempo.”

Mas como passamos dos velhos hábitos para os novos? A Dra Bufka me disse que para atingir uma meta, devemos ter um pouco de estratégia. “Identifique os momentos ou situações em que será mais difícil ter esse novo comportamento ou fazer essa mudança e elimine as barreiras do seu caminho.” Então, em vez de dizer: “Eu gostaria de beber menos álcool”, finja que você simplesmente não mora mais na cidade Bebo Vinho Todos os Dias. Sua nova casa é Eu Não Bebo Nunca. Agora que você mora aqui, não faz sentido ter várias garrafas de vinho ou bebida alcoólica em sua casa (uma grande barreira para o seu objetivo), nem ir regularmente a bares porque simplesmente não é isso que fazemos aqui.

Outra estratégia é modificar seu objetivo para torná-lo mais viável para você, disse a Dra. Tovar. Se você se conhece bem o suficiente para entender que provavelmente não pode se tornar totalmente vegano agora, não o faça. Em suma, pegue leve consigo mesmo. Você pode começar indo a uma academia perto de sua casa ou em seu prédio de escritórios, ou tentar se exercitar no conforto e segurança de casa, onde ninguém pode ouvir seus jump squats. E use o reforço positivo: quando você economizar dinheiro por não beber coquetéis, use esse dinheiro para fazer algo que gosta.

Posso ter exagerado escrevendo tudo que comia em um único dia, mas os hábitos também podem ser construídos gradualmente. A Dra. Tovar me disse que fazer pequenas mudanças de comportamento torna a realização mais possível e não tem muita importância se você não seguir o planejamento por alguns dias. “É muito mais fácil voltar a um comportamento de base menor do que a um insuperável”, ela disse.

É isso. Você sempre pode recomeçar. E então, um dia, o que antes era um objetivo torna-se sua vida. Uma vida diferente do que era e, espero, melhor. /TRADUÇÃO LÍVIA BUELONI GONÇALVES

The New York Times Licensing Group - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito do The New York Times

Tudo o que sabemos sobre:
réveillonbebida alcoólica

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.