Federico Rios Escobar para The New York Times
Federico Rios Escobar para The New York Times

Nas Galápagos, visitantes hospedados em terra inspiram preocupação

Cresce o número de turistas que optam por ficar nos hotéis recém-construídos e não mais nos navios de cruzeiro

Shivani Vora, The New York Times

16 de junho de 2018 | 10h45

O aumento  do turismo em terra nas Galápagos, as ilhas equatorianas no Oceano Pacífico, será um benefício ou uma ameaça para a sua vida selvagem e seus ecossistemas? A Associação Internacional de Operações Turísticas das Galápagos, um grupo de 35 operadoras de turismo, acredita que ambas as coisas.

Em fevereiro, o grupo enviou uma carta ao ministro do Turismo do Equador, Enrique Ponce de León, expressando a preocupação de que o crescimento do turismo em terra nas Ilhas Galápagos possa prejudicar a paisagem e a vida selvagem, como as tartarugas gigantes e os iguanas.

A carta pedia que ele regulamentasse o turismo terrestre; no final de maio, Ponce de León ainda não havia respondido ao pedido, segundo o diretor executivo da associação, Matt Kareus.

Os cruzeiros se tornaram a maneira mais comum de explorar as Galápagos. Entretanto, o governo do Equador limitou o número de leitos permitido a bordo da frota de navios de cruzeiros que chegam a estas ilhas. “Ao contrário dos cruzeiros, o turismo em terra é regulamentado de maneira pouco rigorosa, e, em razão disso, este segmento do turismo cresce de uma maneira perigosamente rápida”, afirmou Kareus.

Segundo o Parque Nacional das Galápagos, o número de visitantes aumentou 39% ente 2007 e 2016, de 161.000 para 225.000. Neste período, o número de visitantes em excursões terrestres apresentou um salto de 92%, de 79 mil para 152 mil. Por outro lado, a hospedagem a bordo dos navios declinou 11%, ou seja, de cerca de 82 mil visitantes caiu para cerca de 73 mil.

Os especialistas em viagens às Galápagos dizem que o turismo terrestre cresce rapidamente porque a construção de hotéis explodiu. Um estudo de 2007 informou que, em 2006, havia 65 hotéis nas ilhas. Em 2017, este número aumentou para 317, informa o Observatório do Turismo das Galápagos.

Andrew Balfour, nativo das Galápagos e gerente geral do Pikala Lodge, um hotel sofisticado de 14 quartos no centro do arquipélago, disse que muitos dos novos imóveis atraem um número considerável de turistas. “Há hotéis extremamente baratos; isto nunca existiu antes”, afirmou. (Historicamente, as ilhas  sempre foram um destino turístico caro.)

Segundo a dra. Andrea Smith, cientista especializada em meio ambiente, os hotéis exigem uma nova infraestrutura e redes de esgoto. E acrescentou: “Quanto mais numerosas as chegadas, maior o risco de espécies invasoras”.

A associação das operadoras de tours não quer proibir o turismo terrestre nas ilhas. Jim Lutz, o presidente do conselho do grupo, disse: “Estamos recomendando a necessidade de controlar o número de pessoas que podem vir”.

Como acontece com todo destino muito procurado, as Galápagos deveriam instituir um plano de longo prazo, opinou Rochelle Turner, do Conselho Mundial de Viagens e Turismo. E este plano teria de incluir economistas, cientistas e organizações não governamentais.

E acrescentou: “Teoricamente, estes grupos trabalhariam em conjunto e criariam uma estratégia para proteger o meio ambiente e a população local, estimulando ao mesmo tempo a indústria do turismo”.

 

Mais conteúdo sobre:
turismohotel

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.