NASA via The New York Times
NASA via The New York Times

NASA planeja lançamento para a Lua em fevereiro com foguete gigante

Um voo do Space Launch System e da cápsula Orion sem astronautas a bordo está planejado para o início do ano que vem, uma primeira e demorada etapa para fazer os astronautas voltarem à superfície da Lua

Michael Roston, The New York Times - Life/Style, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2021 | 05h00

Em outubro, a NASA definiu as datas para seu foguete gigante lançar uma espaçonave de ida e volta da Lua, começando em meados de fevereiro do próximo ano. Dessa vez é pra valer.

Em uma entrevista coletiva, funcionários da agência espacial anunciaram um período de duas semanas começando em 12 de fevereiro para um voo - sem astronautas a bordo - do Space Launch System, ou SLS, o maior foguete da agência em décadas. Ele vai elevar a Orion, uma cápsula para transportar astronautas para o espaço profundo, em uma viagem sem tripulação que orbita a Lua e depois retorna à Terra.

“Estamos no caminho para voar e esta equipe estará pronta quando nosso hardware de voo estiver pronto”, disse Mike Sarafin, o oficial da NASA que é o gerente da missão.

A manutenção por parte da NASA deste cronograma de fevereiro depende dos resultados dos testes no terreno até a janela de lançamento, incluindo um ensaio geral do lançamento em janeiro. Os oficiais também anunciaram mais períodos de voo de duas semanas em março e em abril, ambos sem astronautas, que estão baseados no alinhamento da Lua com a Terra.

O voo há muito adiado, denominado Artemis-1, visa testar a segurança do veículo. Um voo futuro, Artemis-2, levará uma tripulação em uma viagem semelhante, que ecoará a missão da Apollo 8 em 1968. A NASA espera ser capaz de transportar astronautas de volta à superfície lunar, incluindo a primeira mulher e a primeira pessoa não branca, nos próximos anos.

Nenhum ser humano visitou a Lua desde a missão Apollo 17 em 1972. Nos anos que se seguiram à Apollo, a NASA voltou sua atenção para os ônibus espaciais e para a construção de uma estação espacial na órbita baixa da Terra. A agência não possuía nenhum equipamento para se aventurar mais longe do planeta.

Para enviar as pessoas de volta à Lua, a NASA precisa de um foguete que se aproxime da potência do Saturn V que transportou os astronautas da Apollo. Em 2011, o governo Obama anunciou o início do SLS, um foguete baseado nos moldes do Constellation, um programa anterior que fora descartado.

O SLS é um foguete gigantesco, capaz de lançar 70 toneladas métricas ao espaço. Uma versão modificada do foguete que voará no futuro pesaria 130 toneladas - até mais do que o lançador da era Apollo. Os voos do SLS serão caros, cerca de US $2 bilhões por lançamento, embora o Congresso tenha financiado o programa regularmente. A NASA gastou até agora US $10 bilhões no foguete, além de outros US $16 bilhões na cápsula Orion.

Mas pouco correu de acordo com o planejado com o SLS. A NASA programou seu primeiro voo para 2017. No entanto, falhou em cumprir essa meta, e uma auditoria de 2018 citou o mau desempenho da Boeing, a principal empreiteira que trabalhava no estágio de reforço do foguete, pela maior parte dos prazos perdidos. À medida que os problemas persistiam, a pandemia da Covid-19 trouxe atrasos para o programa.

Em janeiro, o foguete estava finalmente pronto para seu primeiro grande teste, um acionamento prolongado dos motores que simularia as tensões de uma viagem à órbita. O teste deveria durar 8 minutos, mas foi interrompido depois de aproximadamente um minuto.

Durante a segunda tentativa em março, o foguete registrou uma queima prolongada de 499,6 segundos dos motores gigantes, que causou uma gigantesca nuvem de vapor sobre a enorme bancada de testes no Mississippi. Depois que o teste foi considerado um sucesso, a agência enviou o enorme foguete para o Kennedy Space Center, na Flórida, para começar os preparativos para o voo.

Esta semana, a espaçonave Orion foi elevada até o topo do foguete e colocada em seu  lugar. Juntos, eles têm quase 100 metros de altura, ou mais que a Estátua da Liberdade e sua base.

Se uma variedade de voos espaciais mantiver sua programação, 2022 pode ser um dos anos mais movimentados que a Lua já viu. Além do Artemis-1, a NASA planeja enviar um pequeno satélite para orbitar a lua e um par de sondas transportando uma variedade de cargas privadas para a superfície lunar. China, Rússia, Índia e Coréia do Sul anunciaram planos para as órbitas lunares ou pousos em 2022.

O presidente Donald Trump comprometeu os Estados Unidos a levarem astronautas de volta à Lua até 2024, uma meta que o governo Biden não mudou. Mas os analistas têm sido céticos com relação a essa meta ambiciosa, dado que grande parte do hardware - incluindo uma espaçonave para fazer os astronautas pousarem na superfície lunar - ainda não foi construída.

A NASA assinou um contrato com a SpaceX, uma empresa privada fundada por Elon Musk, para usar sua nave espacial Starship como um módulo lunar. A Starship ainda está em seu estágio de protótipo e ainda não foi lançado em órbita. A Blue Origin, empresa fundada por Jeff Bezos, da Amazon, também entrou com uma ação no tribunal federal sobre o contrato, argumentando que a NASA favoreceu a SpaceX injustamente. Se um juiz ficar do lado da empresa de Bezos, isso pode forçar a NASA a começar de novo, atrasando ainda mais o programa do módulo lunar. /TRADUÇÃO LÍVIA BUELONI GONÇALVES

The New York Times Licensing Group - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito do The New York Times

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.