Susan Wright para The New York Times
Susan Wright para The New York Times

Natureza é atrativo nas fazendas da Toscana

Conjunto de fazendas biodinâmicas oferece degustações e um lugar para ficar

Laura Rysman, The New York Times

30 de novembro de 2018 | 06h00

Pouco depois da muralha medieval que cerca a cidade de Lucca, na Toscana, a cidade dá lugar a casas de campo e pastos rurais. Em meio a essas colinas, uma próspera comunidade cooperativa de vinhedos e fazendas biodinâmicas desenvolveu suas raízes - com muitas delas dando as boas-vindas a hóspedes que desejam ficar em propriedades do tipo.

Apesar de serem concorrentes, esses agricultores ajudaram uns aos outros na adoção de um sistema biodinâmico que dispensa produtos químicos, tratando a fazenda de maneira holística como um só organismo de plantas e animais. Em 2016, eles fundaram formalmente a Lucca Biodinâmica.

Um dos pioneiros do movimento Lucca Biodinamica, Giuseppe Ferrua administra a Fabbrica San Martino com a mulher, Giovanna Tronci. No verão, a fazenda se torna uma colina verde, com jumentos pastando em meio às flores silvestres, e campos de vinhedos cor de jade cobrem a paisagem.

O castelo barroco do casal, construído em 1735, é vizinho a um antigo lar de camponeses, que os proprietários alugam para hóspedes dispostos a aceitar acomodações mais humildes e interessados em aprender a respeito da agricultura biodinâmica, desfrutando do verde da fazenda e degustando vinhos.

Seguindo os princípios da produção de vinhos biodinâmica, os vinhos são produzidos com leveduras que ocorrem naturalmente, e envasados com menos sulfitos, e nenhum dos 60 aditivos da produção industrial.

“Esses vinhos expressam seu território e sua história", disse Ferrua. “Um cabernet comercial tem o mesmo gosto, seja ele produzido na Califórnia ou na Nova Zelândia. Não é mais um vinho de verdade, mas apenas uma bebida.”

Ferrua e outro produtor local de vinhos foram os primeiros em Lucca a converter suas fazendas para a técnica biodinâmica. “Em questão de um ano, vi o solo escurecer diante dos meus olhos", disse Ferrua. 

“As plantas estavam mais saudáveis, e as uvas adquiriram um sabor mais profundo.”

Nas práticas biodinâmicas, os animais da fazenda San Martino, as andorinhas, as abelhas e as plantas contribuem para um ecossistema próspero. Os cultivadores colhem na lua cheia, quando a seiva se eleva nas plantas, imitando as marés. Chifres de vaca são misturados ao esterco ou ao quartzo, que atrai a luz do sol, e então enterrados durante o inverno. Na primavera, seu conteúdo é espalhado sobre a terra com a água da chuva.

Dos 18 produtores de vinho de Lucca, 13 fazem parte da rede da Lucca Biodinamica, o que faz da cidade o grupo mais concentrado de agricultores biodinâmicos da Itália. Atualmente, a Lucca Biodinamica é comandada por Mina Samouti e o marido, Matteo Giustiniani, da Fattoria Sardi, que elogiam a disposição dos muitos produtores do grupo em compartilhar sementes, equipamentos, técnicas e experiências.

A plantação de legumes Nico Bio oferece uma estadia rural mais diluída em pequenos e confortáveis quartos em meio à densa e bucólica floresta. Os proprietários, Elena e Federico Martinelli, servem o jantar no jardim preparando os ingredientes do seu cultivo biodinâmico, acompanhado por vinhos Valgiano. 

Há jumentos, galinhas, aquecimento gerado pelos painéis solares, e água limpa, mas nada de sinal de wi-fi nem celular.

“As coisas são simples por aqui", explicou Elena. “Mas gostamos de viver bem perto da natureza.”

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