Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90
Sophie Mutevelian/Netflix, via Associated Press
Sophie Mutevelian/Netflix, via Associated Press

Após prejuízo nos Estados Unidos, Netflix aposta no mercado global

A empresa perdeu 126 mil assinantes nos EUA durante o segundo trimestre de 2019, primeira vez que esse número diminuiu desde o início dos serviços de streaming, doze anos atrás

Edmund Lee, The New York Times

04 de janeiro de 2020 | 06h00

A Netflix é a plataforma dominante no segmento de streaming nos Estados Unidos. Mais de 60 milhões de americanos pagam um total de US$ 9 bilhões ao ano para assistir a séries como The Crown e a homérica elegia de Martin Scorsese à máfia, O Irlandês, assistido em 26 milhões de contas na primeira semana de lançamento.

Mas a Netflix também é vulnerável. A empresa perdeu 126 mil assinantes nos EUA durante o segundo trimestre de 2019, primeira vez que esse número diminuiu desde o início dos serviços de streaming, doze anos atrás.

Os EUA também são o mercado onde a empresa tem crescido mais lentamente nos anos mais recentes. Em outras palavras, quase todos os interessados em uma conta Netflix já a possuem.

Isso explica em parte por que a empresa quer que os investidores (e o público em geral) se concentrem em uma narrativa diferente, segundo a qual a Netflix é na verdade uma empresa internacional cujo crescimento (e valor) virá de países como Brasil, México, Índia e outros.

Com a documentação apresentada à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA no dia 16 de dezembro, a gigante do streaming revelou pela primeira vez números específicos de assinantes para cada região, incluindo Europa, América Latina e Ásia.

A divulgação ocorreu depois de a empresa ter anunciado em outubro que passaria a publicar tais números, que proporcionam uma imagem mais clara de seus negócios globais.

A região Ásia-Pacífico, que inclui Coreia do Sul, Japão e Índia, é o segmento de crescimento mais rápido, com 14 milhões de assinantes, número mais de três vezes superior ao registrado no fim de março de 2017, primeiro período para o qual há números disponíveis. Mas a região representa a menor parte da empresa, com apenas 9% do total dos assinantes. A Netflix desistiu da China, uma charada regulatória para todas as empresas de mídia americanas, decidindo em vez disso concentrar seus esforços na Índia.

A região que a Netflix (e outras empresas) chamam de E-ME-A, incluindo Europa e partes da África e do Oriente Médio, é a segunda maior, com 47 milhões de assinantes. A área inclui França, Itália, Espanha, Alemanha, Arábia Saudita, Israel e África do Sul. A programação que levou a esse crescimento inclui La Casa de Papel, drama policial em espanhol filmado em Madri que se tornou muito popular fora dos EUA.

Ted Sarandos, diretor de programação da Netflix, descreveu a série como “um sucesso fenomenal” e um exemplo dos programas “pan-regionais” que atraíram público fora de seus países de origem. “Mas a sua maneira de serem divulgados e fazer sucesso pelo mundo aposta na sua autenticidade local", disse.

A América Latina, que inclui México e Brasil, quase dobrou seu número de assinantes desde o início de 2017, chegando a 29 milhões. Mas esse contigente de assinantes é também o que menos proporciona renda à empresa, cerca de US$ 8,21 mensais por assinante. EUA e Canadá são os mais lucrativos, onde o assinante típico paga US$ 12,36 mensais.

Estatísticas

A Netflix é conhecida por manter em segredo a maior parte dos dados de sua audiência, algo que considera uma vantagem competitiva. A firma de pesquisas Nielsen tentou medir o quando as pessoas assistem a programas da Netflix com software de reconhecimento de áudio, o que não deu certo. 

A empresa não revelou o número de pessoas que assinam seus serviços para assistir a um programa ou filme específico. Esse número é apenas um dos muitos dados cruciais que mostram como a Netflix avalia o sucesso de novos programas e ajudam a determinar quais projetos recebem luz verde para ir adiante.

Quando a Netflix divulgou ao público as estatísticas de audiência para O Irlandês uma semana após o lançamento do título, não foi informado quantos novos assinantes o filme trouxe.

Em um panorama mais amplo, vemos que a Netflix como um todo está desacelerando. A região que corresponde a EUA e Canadá cresceu 7% em 2019, derrubando o ritmo geral de expansão para 21%. Mas Ásia, América Latina e Europa também estão perdendo fôlego, e tudo indica que o número de novos assinantes da Netflix em 2019 será menor do que em 2018. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.