Ashley Gilbertson/The New York Times
Ashley Gilbertson/The New York Times

No Senegal, caça e mineração ameaçam vida selvagem

Os riscos atingem mesmo áreas de preservação como o parque Nikolo-Koba, onde dezenas de espécies contam com a proteção de guardas e grupos conservacionistas

Dionne Searcey, The New York Times

24 de março de 2019 | 06h00

NIOKOLO, SENEGAL – O horizonte noturno estava iluminado pelo reflexo vermelho das fogueiras acesas pelos caçadores ilegais. Ao longe, mineradores clandestinos de ouro explodiam dinamite, e, no meio de uma rodovia movimentada, um guarda florestal do parque cortava a garganta de um antílope fêmea que havia sido atropelada por um carro. As ameaças à vida selvagem estão em toda parte no maior parque nacional do Senegal.

Anteriormente, uma multidão de leões, leopardos, elefantes e outros animais vagueava pelo Senegal, mas dezenas de anos de caça e o crescimento urbano os eliminaram praticamente da região. Mesmo aqui, são inúmeros os perigos para a pequena amostra de vida selvagem que ainda pode ser encontrada no parque nacional conhecido como Niokolo-Koba: algumas dezenas de chimpanzés, cerca de 100 cachorros selvagens africanos e uma mínima população de leões. Uma pesquisa realizada em 2011 dava conta de 11. Talvez hoje cheguem a 50. Os guardas do parque e um grupo conservacionista internacional trabalham para salvar o que resta destas espécies.

Em particular, a nação espera aumentar sua população de leões da África Ocidental, praticamente extintos. Ainda existem não mais que 250, vivendo em bolsões do Senegal, da Nigéria e de outros países, em uma área que corresponde a 1% do território onde outrora habitavam.

Há cerca de um ano, uma pequena equipe do Panthera, grupo que trabalha na proteção de gatos selvagens, chegou a Nikolo-Koba, e aqui organizou patrulhas e construiu um posto avançado em uma parte remota do parque protegido. Ou supostamente protegido.

Proteção

O Senegal emprega cerca de 130 guardas florestais para patrulhar uma faixa dos 9 mil quilômetros quadrados do parque. Eles estão estacionados perto da entrada do parque, o lugar onde é mais provável avistar os leões.

O programa piloto do Panthera paga para os guardas se espalharem regularmente pelo parque. Desta maneira, se a população de leões crescer, terá um território mais seguro para se deslocar. Os animais são ameaçados por caçadores e mineiros ilegais e pelo trânsito de uma rodovia que atravessa o parque.

Os caçadores aqui não são as máfias internacionais munidas de armamento pesado que assolam as reservas em outras partes da África, onde a caça é muito mais abundante. Recentemente, ocorreu uma prisão típica deste lugar: um homem, sozinho em uma bicicleta, segurando uma arma de fogo remendada com fita adesiva. “Não é uma guerra como a que se trava em outros lugares’, disse Florence Vernadat, coordenadora do projeto Panthera. “Na realidade, seria fácil acabar com a caça ilegal. Bastaria contratar mais guardas”, afirmou.

“O tempo todo eles atropelam estes bichos”, resmungou o tenente Lang Halima Diedhiou, que acabou com o sofrimento do antílope encontrado debatendo-se na estrada. Meses antes, aparecera a foto de um elefante. Há anos, não se via um elefante do deserto no parque, e os guardas acham que agora há três perambulando.Dias mais tarde, eles viram uma leoa e três filhotes. Era a prova de que os seus esforços estavam sendo recompensados - por enquanto.

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