Jaap Arriens/NurPhoto, via Getty Images
Jaap Arriens/NurPhoto, via Getty Images

Notícias falsas no Irã e na Venezuela preocupam Facebook e Twitter

'Manual' russo para desinformação nas redes sociais atinge alcance global

Sheera Frenkel, Kate Conger e Kevin Roose, The New York Times

07 de fevereiro de 2019 | 06h00

A Rússia criou um manual para a disseminação de informações falsas nas redes sociais. Agora, o restante do mundo está aplicando o mesmo método. No mês passado, o Twitter disse que países como Bangladesh e Venezuela tinham usado as redes sociais para disseminar ideias do governo, enquanto o Facebook detalhou o funcionamento de uma ampla campanha de desinformação promovida pelo Irã envolvendo o conflito na Síria e teorias da conspiração ligadas aos ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos.

As campanhas ligadas a diferentes governos seguiram um padrão semelhante às iniciativas russas de desinformação anteriores e posteriores às eleições presidenciais de 2016 nos EUA. Milhões de pessoas foram alvo de conteúdo criado para fomentar os cismas políticos.

A disseminação global de desinformação nas redes sociais é observada num ano em que importantes eleições devem ocorrer em países como Índia e Ucrânia. No ano passado, a desinformação desempenhou um papel importante em várias campanhas, como na polêmica eleição presidencial no Brasil.

“Há eleições a serem realizadas no mundo, e nosso objetivo é proteger sua integridade até o limite da nossa capacidade, aprendendo com cada uma delas", disse Carlos Monje Jr., diretor de políticas públicas do Twitter para EUA e Canadá numa publicação em seu blog.

A empresa disse ter identificado nova atividade suspeita por parte dos russos, localizando e removendo 418 contas ligadas à Rússia entre outubro e dezembro. Anteriormente, o Twitter removeu 3.843 contas ligadas a uma central de usuários falsos ligada ao governo russo chamada Internet Research Agency. 

As 418 novas contas imitavam o comportamento daquelas pertencentes à IRA. Embora Twitter e Facebook tenham anunciado suas revelações em separado, as empresas colaboraram na investigação. Entre as iniciativas de desinformação mais ambiciosas e bem-sucedidas detalhadas recentemente, acredita-se que a principal tenha sido mobilizada pelo Irã, que usou Facebook e Twitter para se comunicar com milhões de pessoas em dúzias de países.

A campanha iraniana buscou alterar a opinião pública em países em todo o Oriente Médio, Europa e Ásia, segundo o Twitter e o Facebook. Enquanto o primeiro removeu 2.617 contas ligadas a iranianos, a rede social de Mark Zuckerberg revelou ter desativado 783 páginas, grupos e contas ligadas ao Irã.

A investigação do Facebook se concentrou em páginas ligadas ao Irã que, em certos casos, já existiam há nove anos. Os administradores das páginas e proprietários das contas alegaram fazer uso local das mesmas, publicando mensagens a respeito de assuntos como as relações entre israelenses e palestinos e os conflitos na Síria e no Iêmen.

A iniciativa “promovia ou amplificava opiniões condizentes com o posicionamento do governo iraniano em relação a questões internacionais", de acordo com o DFR Lab, do Atlantic Council, que estuda a desinformação. A campanha compartilhou conteúdos tão variados quanto imagens pró-Palestina e vídeos expondo teorias da conspiração alegando que os ataques de 11 de setembro teriam sido executados pelo governo dos EUA.

Outras campanhas de desinformação derrubadas pelo Twitter vieram da Venezuela, que vive momentos de caos político depois que o líder da oposição Juan Guaidó declarou-se presidente interino do país, desafiando o incumbente Nicolás Maduro. Uma dessas campanhas era composta por 1.196 contas.

O Twitter determinou que estas tinham sido organizadas pelo governo da Venezuela por causa de indícios digitais ligando as contas ao país. A atividade seguiu regras detalhadas num manual para centrais de usuários falsos compilado pelo governo venezuelano, disse uma pessoa informada a respeito da campanha.

Twitter e Facebook fizeram seus anúncios em janeiro como parte de uma iniciativa para aumentar a transparência. O Twitter publica periodicamente dados a respeito do assunto desde outubro. De acordo com a empresa, cerca de oito milhões a 10 milhões de contas suspeitas são analisadas toda semana.

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