Haruka Sakaguchi para The New York Times
Haruka Sakaguchi para The New York Times

Nova encarnação de uma famosa loja de brinquedos de Nova York

Empresa de capital privado aposta em novo modelo de negócios

Michael Corkery, The New York Times

03 Dezembro 2018 | 06h00

O piano do filme “Quero ser grande”, imortalizado por Tom Hanks dançando sobre suas teclas gigantes, está de volta. E também os soldadinhos de brinquedo com seus enormes capacetes pretos. Há inclusive uma matriz em Nova York.

A F.A.O. Schwarz, a famosa loja de brinquedos que fechou as portas há três anos, reencarnou. Mas não é a mesma. A nova proprietária, a ThreeSixty, uma companhia que tem o respaldo de uma private equity, quer evitar os problemas dos antigos donos: uma grande rede de lojas e enormes fornecedoras de brinquedos que, em determinado momento podem ser entusiastas, e gélidas no momento seguinte.

Em vez disso, os novos proprietários da F.A.O. estão criando milhares de “lojas dentro de lojas” em outras grandes varejistas, e também pequenas lojas em outros pontos nos Estados Unidos e na China. As novas locações terão grandes estoques de brinquedos da marca F.A.O. Para modernizar a marca, a loja de Nova York realizará “momentos instagramáveis”.

A ThreeSixty tenta repetir a experiência da F.A.O. Schwarz, minimizando porém os custos. Muitas locações terão outros donos que se encarregarão de operá-las, enquanto a F.A.O. cobrará as taxas de franquia.

“Isto não significa trazer de volta uma grande loja de brinquedos”, disse Kate Clark, presidente da Yottoy, uma pequena companhia que produz animais de pelúcia baseados em livros clássicos da literatura infantil como Paddington e Corduroy. Ela vendeu os seus brinquedos para a F.A.O,. Schwarz, na época dos seus antigos proprietários, mas se mostra cautelosa com o novo modelo de negócio.

Fundada em Baltimore, Maryland, em 1862, pelo imigrante alemão Frederick August Otto Schwarz, sua marca tornou-se um espetáculo obrigatório por dezenas de anos em Manhattan, com um showroom imenso povoado de girafas de pelúcia  em tamanho natural, balas e novidades caras, como o brinquedo de desenho mecânico  Etch-A-Sketch transformado em joia, feito com cristais Swarovski. Filmes como “Quero ser grande” e ”Esqueceram de mim 2” emprestavam glamour à loja como um lugar mágico cheio de coisas maravilhosas e de divertimentos.

Ao longo dos anos, a F.A.O. teve vários donos: um fundo hedge, uma editora de revistas e um proprietário de lojas de departamentos holandês. Mais recentemente, foi a vez da Toys “R” Us. A ThreeSixty comprou a marca há dois anos.

A nova loja do Rockefeller Center, inaugurada em novembro, vende brinquedos populares como Barbie e Patrulha Canina, produzidos por grandes companhias, e também marcas clássicas europeias como os elefantes de pelúcia e os ursos Steiff, da Alemanha. Cerca de 40% dos produtos têm a marca F.A.O. A ThreeSixty tem ainda uma operação na China que produz os brinquedos da marca a preços menores.

A F.A.O. trabalha com cautela em uma época perigosa para os varejistas. A Toys “R” Us foi liquidada em junho e fechou todas as suas 730 lojas nos Estados Unidos. Algumas companhias de brinquedos foram informadas de que a F.A.O. deixaria de comprar o estoque delas, disseram executivos da companhia de brinquedos e a associação do setor. Ao contrário, alguns fabricantes afirmaram que alugariam essencialmente o espaço para exibir os seus brinquedos na loja.

Os donos da F.A.O. estão apostando no fator nostalgia. David Conn, que dirige a F.A.O. para a ThreeSixty, disse: “Há clientes que choram quando lembram da sua primeira visita à antiga loja”.

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