Brad Ogbonna para The New York Times
Brad Ogbonna para The New York Times

Novo álbum de Steve Perry quebra duas décadas de silêncio

O cantor que interrompeu a carreira nos anos 1990, retoma a carreira com o lançamento do álbum 'Trace'

Alex Pappademas, The New York Times

12 Setembro 2018 | 10h00

MALIBU, CALIFÓRNIA - Em 1977, uma banda de jazz-rock de San Francisco, chamada Journey, procurava um novo cantor e descobriu Steve Perry, então com 28 anos, veterano de muitas bandas anônimas.

Perry e o principal guitarrista da banda, Neal Schon, começaram a escrever impressionantes músicas rock pesado que exploravam a voz limpa e potente de Perry, um verdadeiro instrumento operístico como jamais fora visto. Embora às vezes os críticos fossem rigorosos em relação a este aspecto, a nova fase da banda Journey lançou oito álbuns multiplatinados e realizou tantas turnês, que em 1987 Perry foi obrigado a fazer uma pausa.

Ele lançou álbum solo em 1994, seguido em 1996 por um álbum de reunião da banda Journey. Mas pouco depois, parou de novo. Com seu álbum, "Traces", que será lançado em outubro, Perry quebrará 20 anos de silêncio.

Em seu auge, nos anos 1980, a banda Journey era uma usina de músicas, e fez turnês ao longo de nove anos. Isso cobrou seu preço. "Nunca tive nódulos ou coisas assim, nunca tive pólipos", disse Perry, referindo-se às próprias cordas vocais. A dor era mais espiritual. 

Sobre ser vocalista, ele explicou que "seu instrumento é você mesmo". "Não é apenas sua garganta, mas você, pessoa. Se você se sente cansado, se está deprimido, se está se sentindo esgotado e perdido, paranoico, é um desastre".

"Não sei como ele durou tanto tempo sem se sentir desgastado", comentou Schon.

No dia 1º de fevereiro de 1987, Perry apareceu em um último show com a Journey em Anchorage, no Alasca. Depois foi para casa.

Quando adolescente, Perry se mudou para Lemoore, na Califórnia. Ali, descobriu os Beatles e os Beach Boys e experimentou "a liberdade e a emoção adolescente e o contato com o mundo". Depois, voltou para Lemoore.

A diretora de cinema Patty Jenkins fez amizade com Perry depois de pedir permissão para usar 'Don't Stop Believin' em seu filme Monster, de 2003. Ela insistiu com Mark Oliver Everett, que toca com sua banda, Eels, com o nome E, para ser apresentada a Perry, que se tornara um fã.

Finalmente, Perry decidiu cantar em um show da Eels em 2014 em Minnesota. Cantou uma de suas músicas favoritas dos Eels, cujo título incluído em um álbum é "It's a Monstertrucker". A música fala da luta para sobreviver à ausência de uma pessoa. Para Perry, a escolha foi óbvia.

Em 2011, Patty trabalhou em uma antologia sobre câncer de mama. Perry a visitou no estúdio de edição. Uma mulher, Kellie Nash, chamou sua atenção. Ele pediu a Patty para ser apresentado a ela por e-mail. "E ela disse, 'Tá bom, vou mandar um e-mail, mas há uma coisa que preciso te falar antes. Ela estava em remissão, mas a doença voltou, está nos seus ossos e nos pulmões. Ela luta para viver", contou Perry.

Poucas semanas mais tarde, Kellie e Perry se conheceram. Ficaram juntos um ano e meio. No outono de 2012, um exame revelou que o câncer se espalhara e chegara ao cérebro de Kellie. “Ela me fez prometer que se alguma coisa acontecesse com ela, eu não voltaria a me isolar", disse Perry. Kellie morreu no dia 14 de dezembro de 2012. Dois anos mais tarde, ele apareceu no ensaio da Eels com seu microfone.

"Não sei se 'voltar' é uma boa palavra", comentou Perry referindo-se ao próximo álbum. "Estou em contato com a emoção honesta, o amor pela música que acabei de compor. E também com toda a neurose que costuma vir com ela. Todos os medos e alegrias. Tive de aceitar tudo isso".

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