Chad Batka para The New York Times
Chad Batka para The New York Times

Novos artistas redefinem conceito de música pop

Astros como Rosalía, NCT 127, Bad Bunny, entre outros, estão abolindo fronteiras e alcançando públicos outrora inatingíveis

Jon Caramanica, The New York Times

23 de maio de 2019 | 06h00

Em abril, a estrela espanhola do flamenco pop, Rosalía, fez uma apresentação notável e revigorante no Webster Hall, em Nova York. Ao mesmo tempo, ela encarnou uma diva das casas noturnas, uma artista de vanguarda, uma preservadora da história e uma sintetizadora perfeita entre o passado e o presente.

Rosalía estudou flamenco, mas vem incorporando outras influências mais cosmopolitas à sua obra. A apresentação dela foi um entusiasmado lembrete de como artistas criativos se dedicam também a reimaginar continuamente o mundo que herdam.

Além disso, conforme Rosalía se torna mais conhecida, ela continua a ampliar seu arsenal. Seu single mais recente, Con Altura, uma parceria com o astro colombiano J Balvin, é uma contagiante canção de pop-reggaeton, reunindo os povos de língua espanhola de ambos os lados do Atlântico e servindo como exemplo da fluidez do pop contemporâneo em espanhol.

Essa versatilidade e abertura de diálogo são chave para a safra atual de astros globais, muitos dos quais se valem de múltiplos estilos, superando fronteiras nacionais e às vezes até a barreira dos idiomas - tudo isso com o objetivo de fazer avançar sempre a marcha do pop, com influência dos Estados Unidos, mas, com frequência, ultrapassando o mercado americano.

Tudo isso era fácil de ver recentemente em Nova York, em apresentações de vários artistas que, reunidos, formam um retrato animador das novas abordagens. Havia o pop futurista, principalmente em idiomas diferentes do inglês, com grupos de Coreia do Sul, Espanha, Nigéria e Porto Rico tocando para plateias lotadas e, com frequência, trazendo uma sonoridade mais inovadora do que qualquer coisa saída de Los Angeles ou Atlanta.

Além de Rosalía, havia o exuberante pop dos grupos de K-pop Blackpink e NCT 127, as afrobeats influenciadas pelo R&B de Eazi, e o trap latino, reggaeton e mais do astro Bad Bunny, possivelmente o artista que melhor define o pop do momento e que supera todas as fronteiras.

O estilo mais próximo dos manuais com que estamos acostumados é o K-pop, que se baseia nos conjuntos masculinos e no pop adolescente do início da década de 2000 e os mistura ao hip-hop e R&B contemporâneos, formando híbridos que às vezes lembram a batida da música dançante eletrônica. O frenético conjunto masculino NCT 127 e as quatro garotas do revolucionário Blackpink estavam se apresentando no Prudential Center, em Newark, Nova Jersey, oferecendo versões próprias desse modelo.

Para esses grupos, o pop americano foi um ponto de partida, uma estrutura multifacetada a partir da qual eles desenvolveram incontáveis aprimoramentos. Em comparação, a música de Bad Bunny, que em abril se apresentou no Madison Square Garden em Nova York, encontra seu parente mais próximo no hip-hop. A apresentação dele foi uma clara demonstração da potência do pop em espanhol.

Essa mesma amplitude de estilos caracteriza a música de Eazi, que nasceu na Nigéria e viveu muito tempo em Gana. A sonoridade dele injeta um pouco da animadora música ganense na viscosidade crua do afrobeat nigeriano.

Durante décadas, a world music foi vendida nos EUA em termos de sua lealdade em relação ao passado: não se buscava um diálogo com a música pop do presente, e sim um teimoso contrapeso a ela. E o nativismo da indústria da música pop americana raramente cedia espaço para a infiltração de ideias de fora.

Devemos agradecer à internet por derrubar essas fronteiras. A safra atual de astros globais do pop costuma ser quase tão popular nos EUA quanto em seus países de origem, ou ainda mais. A indústria musical está abolindo progressivamente as fronteiras, e a música produzida do outro lado do mundo se tornou agora tão acessível quanto aquela tocada do outro lado da rua. 

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