Moris Moreno para The New York Times
Moris Moreno para The New York Times

Novos designs (e suas obras) captam o espírito de Miami

Cidade da Flórida oferece centro de artes, galerias e projetos inovadores

Sam Lubell, The New York Times

13 de dezembro de 2018 | 06h00

Miami é famosa por sua arquitetura art déco colorida, geométrica e maravilhosa. Mas os arquitetos - inspirados por seu ambiente tropical, sua abertura ao futuro e seu espírito hedonista - nunca deixaram de criar prédios inovadores na cidade. Adaptando-se a um lugar que adora celebridades, quase todos os arquitetos famosos e muitas estrelas em ascensão construíram lá na última década. Entre os grandes nomes estão Frank Gehry, Rem Koolhaas, Zaha Hadid, Herzog & De Meuron, Grimshaw, César Pelli, Richard Meier, Arquitectonica, Rafael Moneo, Jean Nouvel e Bjarke Ingels.

Os resultados estão espalhados por toda a cidade, de Miami Beach ao fervilhante Design District. E, se você gosta de estacionamentos, saiba que agora a cidade conta com aquela que deve ser a coleção mais sensacional do mundo. O Museum Garage, uma estrutura de concreto de sete andares, com capacidade para cerca de 800 carros e (em breve) lojas no térreo, fica a 10 minutos de carro do centro da cidade.

Para criar a fachada, o arquiteto e curador Terence Riley contratou designers da WORKac, Mayer H, Clavel Arquitectos, Nicolas Buffe e de sua própria empresa, a K / R, no intuito de realizar o que ele chama de “Exquisite Corpse” [algo como “cadáver requintado”], uma mistura de obras de arte estranhas e montadas nas paredes de maneira um tanto caótica. “Ant Farm” [Fazenda de formigas] combina gráficos coloridos com olhos mágicos, para espiar o movimento do formigueiro de pessoas e carros. 

“Urban Jam” [Geleia urbana] tem 45 carrocerias metálicas de ouro e prata encaixadas como peças de Tetris. “Barricades” [Barricadas] é uma tortuosa grade de barreiras de tráfego nas cores branca e laranja fosforescente. Mas, em Miami, ninguém criou novos projetos mais impressionantes que os arquitetos suíços Herzog & De Meuron. Seu edifício mais incomum e excepcional é o 1111 Lincoln Road, outro estacionamento futurista.

Sua estrutura de concreto exposto, com lajes bem afuniladas e de alturas variadas, cria uma forma maleável, que revela o movimento dos carros lá dentro e cria espaço para grandes eventos. O edifício conta com lojas no térreo e um terraço com paredes de vidro no último andar. A linha do horizonte de Miami está prestes a receber mais uma surpresa excepcional com a conclusão do One Thousand Museum, projetado pelos arquitetos do escritório de Zaha Hadid.

O condomínio de luxo de 62 andares se ergue como um alienígena furioso que vai se metamorfoseando e expondo suas entranhas metálicas à medida que avança sobre a cidade. Seu exoesqueleto de concreto curvo, que fica mais espesso e mais fino conforme a necessidade, funciona como uma moldura estrutural, deixando as unidades de alto padrão praticamente sem colunas. Concluído em 2013, o Pérez Art Museum Miami, de Herzog & De Meuron, ancora os 120 mil metros quadrados do Museum Park, de frente para o mar, bem próximo ao One Thousand Museum.

O intrincado edifício conta com uma série de galerias de concreto flutuantes, abrigadas por uma vegetação densa e sombreadas por um pavilhão todo emaranhado. Ele se abre para a beira-mar com uma varanda ampla e escadas abertas. A coleção do museu se concentra na arte dos séculos XX e XXI das Américas, Europa Ocidental e África, dispondo também de uma das maiores coleções de arte cubana contemporânea.

Localizado perto de Indian Creek, em Mid-Beach, o Faena Forum, novo centro de artes assinado pelos arquitetos do escritório OMA, é o coração de um empreendimento que inclui hotéis, condomínios, mercado e estacionamento. Pintado em um branco gritante, o Forum consiste em um cilindro e um cubo interligados, ambos cortados por janelas de diversos formatos e com teatros, salas de exposições e salas de reunião cheias de claridade natural. Um corte incisivo sob o cilindro cria uma entrada extraordinária.

Mas a mais nova aquisição do cenário artístico da cidade é a casa do Instituto de Arte Contemporânea de Miami, obra do escritório Aranguren & Gallegos. Tal como acontece com as lendas do art déco de Miami Beach, a fachada principal do edifício funciona como um letreiro, atraindo as pessoas com seus painéis de metal perolados e geometricamente dispostos.

Alguns ficam recuados, para fazer com que todo o edifício pareça brilhar por dentro durante a noite, deixando as elegantes letras metálicas se destacarem como um logo eficaz. No interior, as galerias tomam três andares flexíveis de pé-direito duplo, fartamente iluminados através da fachada norte, que, toda feita de vidro, se abre para uma praça na parte de trás do edifício.

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