Adrienne Harris
Adrienne Harris

O antigo de volta à moda

Canetas-tinteiro, banhos de banheira e até aplicativos de ruído são algumas das apostas da indústria do bem-estar

Adrienne Harris, The New York Times

13 Janeiro 2019 | 06h00

Os millennials, aquele grupo de pessoas entre os 25 e os 30 e poucos anos que amadureceu com a internet, anseiam por um pouco de paz interior e silêncio. Para tanto, estão buscando dicas com os avós. Eis que entra em cena a caneta-tinteiro. Esta antiquada ferramenta da escrita parecia fadada a desaparecer após a chegada da esferográfica nos anos 1960 e, posteriormente, do teclado. Mas, agora, seu charme antiquado proporciona um alívio raro para o frenesi dos cliques e deslizadas na tela.

“Para muitos, a experiência de recolher a tinta na caneta a partir de um frasco e limpar a pena é próxima da meditação zen", disse ao Times o psicólogo Stephen Brown, 34 anos, de Red Deer, Alberta. Estranhamente, as mesmas forças que relegaram a caneta tinteiro para o acervo de objetos dos idosos conferiram a ela nova vida para uma geração mais nova. O canal de Brown no YouTube, no qual ele apresenta resenhas de canetas, tem mais de 45 mil assinantes.

“Não esperava nada parecido. É verdade que há canais com milhões de assinantes, mas não estou ensinando técnicas de maquiagem ao público!”, disse.

Steve Birkhold, diretor da Universal Luxury Brands, contou que o volume de negócios aumentou 300% depois que ele comprou os direitos de distribuição da fabricante alemã de canetas Lamy nos Estados Unidos.

Assim, o antigo voltou à moda. E isso não é problema para Katy Klassman, de Washington, que adora sua caneta tinteiro tanto quanto os livros de papel e os demorados banhos de banheira. “Talvez eu tenha simplesmente nascido no século errado", disse ela ao Times. Ela lembra de quando a avó tomava banho de banheira usando uma esponja e um sabão de fragrâncias. “Para mim, essa era uma das coisas que faziam dela a mulher mais glamurosa do mundo", disse Katy. 

Agora, os banhos de banheira são tratados como momentos em que podemos nos libertar dos dispositivos eletrônicos, escreveu Ruth La Ferla no Times, retiros diante da sobrecarga sensorial. “Cinco anos atrás, o banho de banheira poderia ser visto como uma forma de luxo", disse ao Times Lucie Greene, especialista em previsão de tendências. “Agora, a atividade é reconhecida como uma forma de terapia.”

Os consumidores têm demonstrado grande interesse em óleos e poções que prometem um banho intoxicante. Para a fabricante de cosméticos Lush, as vendas de sabões de espuma praticamente dobraram em questão de três anos, passando de pouco mais de oito milhões para mais de 15,6 milhões em 2018. Tudo isso faz parte de uma indústria do bem estar que cresceu 12,8% entre 2015 e 2017, chegando a US$ 4,2 trilhões, de acordo com relatório publicado em 2018 pelo Global Wellness Institute, de Miami.

A busca pelos cuidados pessoais está chegando ao sono. Como a hora do banho de banheira, a imersão em ruído branco está renascendo, com uma proliferação de aplicativos e dispositivos que geram diferentes sons para ajudar quem tem o sono leve a dormir uma boa noite de sono.

Mynoise.net, um gerador de ruídos online, recebe mais de um milhão de visitas à página todo mês, de acordo com o Times. Algumas das opções incluem interior de carro, petroleiro e máquina de lavar. A repórter do Times Penelope Green configurou seu aplicativo de ruídos no modo ar-condicionado, possivelmente evocando lembranças de uma infância em Manhattan ou até algo muito mais antigo, disse ela.

O ruído branco “é uma das primeiras coisas que escutamos na nossa existência, ainda no útero", disse ao Times o produtor musical Fred Maher. Talvez seja por isso que Param Dedhia, diretor de medicina do sono de Canyon Ranch, em Tucson, Arizona, equipou todos os cômodos com Marpac Dohms, uma máquina de ruído branco inventada en 1962. “Não precisamos de um comprimido para cada mal", disse ele. “Se todos pudéssemos acalmar a nós mesmos, seria mais fácil lidar com o restante do caos.”

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