Mason Media Inc. via The New York Times
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O custo astronômico dos telescópios gigantes

O Telescópio Gigante Magalhães e o Telescópio Extremamente Grande, que será o maior do mundo, custarão muitos milhões de dólares

Dennis Overbye, The New York Times

22 de junho de 2018 | 15h15

É hora de arregaçar as mangas e trabalhar para aqueles que desejam construir um telescópio gigante em Mauna Kea, o grande vulcão na Ilha do Havaí.

A suprema corte do Havaí acaba de ouvir as apelações orais em Honolulu na decisão de aprovar um alvará de construção para o telescópio, que seria o maior e mais caro do hemisfério norte.

Esse mesmo tribunal rescindiu o alvará do telescópio dois anos e meio atrás por questões processuais, depois que manifestações impediram a construção no cume da montanha. Alguns ambientalistas e grupos de havaianos nativos dizem que a proliferação de observatórios no cume poluiu a montanha, interferindo em práticas culturais e religiosas.

O telescópio de trinta metros (TMT), assim batizado por causa do diâmetro de seu espelho de captação da luz, está em planejamento há 15 anos. Seria um dos três imensos telescópios atualmente em construção que podem transformar a astronomia no século 21. Se o alvará para a construção em Mauna Kea não for aprovado logo, os astrônomos do projeto TMT dizem que irão construí-lo nas Ilhas Canárias, na costa da África.

O drama de Mauna Kea colocou de lado outra questão: a maior parte do financiamento da próxima geração de grandes telescópios, como são chamados em geral, ainda não foi definida.

“É necessária uma geração para construir um telescópio", disse Charles Alcock, diretor do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian e membro do conselho do Observatório do Telescópio Gigante Magalhães, que está construindo um telescópio gigante rival no Chile. Não se pode esperar até ter o dinheiro para começar, acrescentou ele: a construção deve começar com os recursos que estiverem disponíveis.

Tanto o Gigante Magalhães quanto o TMT ainda precisam de centenas de milhões de dólares para alcançar suas metas de financiamento. Alguns astrônomos dizem que o TMT, com custo estimado inicialmente em US$ 1,4 bilhão, deve precisar agora de cerca de US$ 2 bilhões para ser concluído.

A capacidade de captação de luz de um telescópio é determinada pela área do seu espelho principal. Os telescópios de 30 metros da classe atualmente em desenvolvimento serão 10 vezes mais poderosos que os maiores telescópios existentes atualmente na Terra, cujos espelhos primários têm 10 metros de diâmetro.

Seguindo o modelo dos telescópios Keck em Mauna Kea, o espelho principal do TMT será um mosaico de centenas de espelhos hexagonais menores reunidos como as lajotas do chão de um banheiro. O Gigante Magalhães, em comparação, alcança sua grande potência usando sete espelhos de oito metros de diâmetro.

Entretanto, o Gigante Magalhães vai começar a funcionar com apenas quatro dos espelhos instalados, em 2023, tornando-se temporariamente o maior telescópio da Terra.

Ele será superado um ano mais tarde pelo Telescópio Europeu Extremamente Grande, em construção pelo Observatório Europeu do Sul, também no Chile. A ideia original era criar um mosaico com 100 metros de diâmetro; o projeto foi reduzido para 42 metros e, agora, para 39. Quando entrar em funcionamento, em 2024, este será o maior telescópio do mundo.

O projeto TNT e o Gigante Magalhães receberam pouco apoio da Fundação Nacional da Ciência, que tradicionalmente financia projetos de astronomia em terra nos Estados Unidos.

Há agora uma proposta circulando para mudar isso: de acordo com o plano, a Fundação Nacional da Ciência contribuiria com um quarto do custo de cada um dos dois telescópios em troca do acesso a tempo de observação por astrônomos de fora do projeto.

O Gigante Magalhães e o TMT tiveram origem separados por poucos quilômetros na Califórnia, com ideias muito diferentes a respeito de como prosseguir. Os esforços se transformaram em imensos consórcios internacionais, que disputam recursos entre si.

“Ambos os projetos finalmente se deram conta do quanto o projeto europeu de 39 metros está à sua frente", disse Matt Mountain, presidente da Associação de Universidades para a Pesquisa Astronômica.

O Dr. Mountain e David Silva, diretor do Observatório Nacional de Astronomia Ótica, concluíram que os dois projetos teriam mais chances de sucesso se reunissem suas forças e as investissem num projeto conjunto.

“Um guarda-chuva maior funcionaria melhor", disse o Dr. Silva.

O Dr. Alcock disse: “Deve haver espaço suficiente na comunidade científica para três telescópios extremamente grandes". 

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