Clara Vannuicci para The New York Times
Clara Vannuicci para The New York Times

O homem que trouxe Da Vinci e Galileu ao século 21

Paolo Galluzzi idealizou com sucesso a conversão dos dois gênios na era digital

Elisabetta Povoledo, The New York Times

07 de fevereiro de 2019 | 06h00

FLORENÇA, ITÁLIA - Se você pesquisar “Os dez maiores gênios de todos os tempos” no Google, é muito provável que dois dos nomes dessa lista sejam Leonardo da Vinci e Galileu Galilei. Agora, pensem no que você faria se fosse encarregado de levar o legado destes personagens para o século 21, em toda a sua complexidade, quando nenhum dos dois pode ser reduzido a um único rótulo, por exemplo "artista" ou "astrônomo". Ambos foram homens intelectuais da Renascença.

Mas esta é a obra de toda a vida de Paolo Galluzzi, há muitos anos diretor do Museo Galileu de Florença e ex-diretor da Biblioteca Leonardiana, o centro de pesquisa dedicado às criações de Da Vinci, que idealizou com sucesso a conversão dos dois gênios analógicos na era digital.

Embora o professor Galluzzi, 76, tenha experiência na reprodução das inúmeras máquinas e instrumentos de Leonardo e de Galileu (desde as reconstruções das criações mecânicas de Leonardo aos telescópios em tamanho natural de Galileu no museu), uma das suas maiores realizações foi cimentar a presença de ambos online.

Nos dois últimos anos, os estudiosos e fãs de Galileu puderam ter acesso a todos os manuscritos do prodígio da Toscana, e do principal estudo detalhado por meio do motor de busca Galileu//thek@, projeto desenvolvido através do museu. Um motor de busca semelhante, Leonardo//thek@, estará em operação dentro de algumas semanas.

Os dois motores de busca ampliarão exponencialmente o alcance global de Galileu e Leonardo, representando um dos maiores objetivos de Galluzzi: estender o acesso ao conhecimento. Quando ele foi contratado em 1982 para o cargo de diretor do então Instituto e Museu da História da Ciência, ele herdou a equipe de um deles e o quartel general que ocupava apenas um andar do Palazzo Castellani, do século 11, adjacente à galeria dos Uffizi, um dos principais atrativos turísticos da Itália. Entretanto, os turistas  não se interessavam muito pelo museu da ciência.

Hoje, o Museo Galileu, como foi rebatizado depois que a restauração de 2010 dobrou o seu espaço, atrai cerca de 300 mil visitantes ao ano e produz mostras multimídia especializadas que percorrem o mundo. Um número considerável de livros da biblioteca do museu, uma das melhores da Europa de história da ciência, também está disponível online. “Queremos garantir que os nossos arquivos sejam acessíveis daqui a 300 anos”, disse Galluzzi.“Inicialmente pensamos que o digital duraria para sempre, mas na realidade é muito menos durável do que um livro, que pode durar séculos”.

O diretor dos Uffizi, Eike Schmidt, descreve Galluzzi como um dos primeiros estudantes da Itália a especializar-se em história da ciência, como o mais eminente estudioso do mundo dos escritos científicos de Leonardo. Em 2017, Galluzzi foi nomeado presidente da comissão nacional que se encarregou do programa do 500º aniversário da morte de Leonardo, este ano. Mas seu verdadeiro legado é o de Leonardo e Galileu. “Nós somos meteoros que não deixam nenhum traço’, afirmou. “A não ser que nos tornemos Leonardo ou Galileu”.

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