Amy Lombard para The New York Times
Amy Lombard para The New York Times

O que seu cão faria se você estivesse em perigo?

Um estudo testa a teoria segundo a qual animais de estimação sentem empatia

James Gorman, The New York Times

18 Agosto 2018 | 11h00

Em geral, o título de um trabalho científico deixa qualquer um que não tenha o Ph.D. Dividido entre a curiosidade e a perplexidade.

"Timmy está no poço" é uma exceção. Como é possível imaginar pela referência a um episódio do seriado "Lassie" (transmitido pela televisão de 1954 a 1974), trata-se de um relatório sobre a prontidão dos cães para socorrer os donos.

Julia E. Meyers-Manor, que estuda o comportamento e a cognição animal, tinha algumas experiências em investigações sobre empatia em ratos que se encontravam em alguma dificuldade. Então, o seu cachorro lhe forneceu uma inspiração.

"Meus filhos me cobriram com uma pilha de travesseiros e eu comecei a gritar pedindo ajuda ao meu marido, que nem se mexeu", ela contou. Mas seu cão da raça collie correu e começou a tirá-la da pilha. Então, pensou ela, por que não usar cachorros e pessoas em vez de ratos? As pessoas gritam para pedir ajuda e os cachorros atendem - ou não.

Julia discutiu a ideia com Emily M. Sanford, que na época estudava na Macalester College em Minnesota, onde Julia ensinava, e elas elaboraram uma experiência. Na realidade, ninguém duvidava de que os cachorros mostram algum tipo de empatia. A questão era se eles agem de acordo com o sentimento, daí o restante do título do trabalho repleto de conceitos científicos publicado na revista Learning and Behaviour: "Empatia e auxílio pró-social em cães".

Elas testaram 34 cães adultos, grandes e pequenos, de raça e vira-latas. Os proprietários entraram em um quartinho com uma janela e uma porta que um cãozinho podia abrir facilmente com o nariz ou com uma pata. Na experiência, alguns proprietários pediram por socorro em um tom de voz neutro e murmuraram "brilha, brilha, estrelinha". Outros gritaram por socorro em um tom desesperado e choraram. O choro variava de um dono para outro. Julia pediu que eles "chorassem de verdade, com lágrimas rolando pelo rosto, ou fizessem seu choro parecer uma risada".

Os cachorros não reproduziram exatamente o comportamento de Lassie na televisão. Cerca da metade deles abriu a porta para os respectivos proprietários, e na mesma proporção quer eles murmurassem uma música alegre ou chorassem.

Por outro lado, os cães que abriram a porta o fizeram muito mais rapidamente para os que choravam  do que para os que murmuravam. Logo, talvez realmente se importem.

Além disso, a pesquisadora Julia Meyers-Manor e suas colegas gravaram os batimentos cardíacos dos cães e seu comportamento, e descobriram algo intrigante. Os cães que não reagiram quando os proprietários choraram mostraram níveis mais elevados de estresse do que os cachorros que reagiram.  Talvez, concluiu, seus níveis mais elevados de ansiedade os inibissem, impedindo uma reação. 

Evidentemente, alguns cães não estavam nem ansiosos nem dispostos a ajudar. Apenas relaxaram ou ficaram olhando. Julia contou que não dispunha de informações suficientes para fornecer aos possíveis proprietários dos cães indicações sobre o tipo de cachorro que deveriam adquirir caso pretendessem cair em um poço.

Mas se você está preocupado com a possibilidade de ser sufocado debaixo de um monte de almofadas, talvez um collie seja a melhor escolha.

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