Amanda Mustard para The New York Times
Amanda Mustard para The New York Times

Obesidade afeta monges na Tailândia

Sob os largos roupões, barrigas cada vez maiores

Muktita Suhartono, The New York Times

17 Agosto 2018 | 10h15

BANGCOC - Buda é frequentemente representado com um largo sorriso e uma gigantesca barriga. Esse modelo de plenitude parece ainda mais adequado na Tailândia, onde as cinturas dos monges budistas têm se expandido a tal ponto que as autoridades de saúde emitiram um alerta de abrangência nacional.

Em junho, funcionários do departamento de saúde pública insistiram aos leigos para que oferecessem alimentos mais saudáveis aos monges, que saem dos templos todas as manhãs e caminham pelas ruas recolhendo refeições. Amporn Bejapolpitak, vice-diretor-geral do departamento, também sugeriu que os monges incorporassem mais atividade física ao seu estilo de vida sedentário com base na meditação e na prece.

A Tailândia é o país com segunda maior média de peso na Ásia, perdendo apenas para a Malásia. De cada três homens tailandeses, um é obeso, e mais de 40% das mulheres apresentam sobrepeso considerável.

Quase metade dos monges são obesos, de acordo com estudo da Universidade Chulalongkorn. Mais de 40% apresentam alto colesterol, quase 25% têm pressão alta e um em cada 10 tem diabetes. “A obesidade dos nossos monges é uma bomba-relógio", disse Jongjit Angkatavanich, professor de nutrição da universidade em Bangcoc.

Quando os pesquisadores começaram a estudar os hábitos alimentares dos monges, eles ficaram pasmos. Os monges consomem menos calorias que a população em geral. Mas, como são proibidos de comer depois do meio-dia, muitos recorrem a bebidas açucaradas.

Para os budistas, que representam 90% da população do país, as oferendas de alimento garantem o karma positivo. “Refrigerantes, suco em caixinha, doces: além disso, muitos desses alimentos são comprados em lojas, o que significa que contêm muito MSG e pouco volume de proteínas e fibras", disse o professor Jongjit.

Há mais de uma década, a dona de casa Vilawan Lim, de Bangcoc, oferece aos monges comida feita em casa. “Não sei nada a respeito da obesidade entre os monges", disse ela. “Mas percebi que o monge que me visita às seis da tarde está imenso, e sua saúde vem se deteriorando ultimamente.”

Trabalhando com o governo tailandês e as autoridades religiosas, o professor Jongjit administra o Projeto de Nutrição Monge Saudável. O programa piloto teve início em 2016, envolvendo 82 monges, que apresentaram evolução positiva. Agora a organização publica receitas de pratos saudáveis e de baixo custo que podem ser oferecidos aos monges.

Aos pesquisadores, os monges disseram que muitas vezes não percebem o próprio ganho de peso porque vestem roupões largos. A equipe do professor Jongjit teve a ideia de desenvolver um cinto para indicar as medidas de uma cintura saudável.

Em dezembro, o Conselho Tailandês dos Monges divulgou orientações para a prática de exercícios e uma dieta mais saudável para os monges.

“Os monges devem ser cuidadosos com aquilo que ingerem, tanto em termos da qualidade quanto da quantidade do alimento", disse Phra Maha Boonchuay Doojai, que participou da elaboração das recomendações. “Um dos ensinamentos de Buda diz que, quando estamos saudáveis, podemos ajudar mais os outros.”

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