Travis Deyoe / Mount Lemmon SkyCenter / Universidade do Arizona pelo The New York Times
Travis Deyoe / Mount Lemmon SkyCenter / Universidade do Arizona pelo The New York Times

Novo observatório detectará mini-luas próximas à Terra

Asteroide do tamanho de um carro chamado 2020 CD3 não ficará aqui por muito tempo, e novos telescópios nos ajudarão a detectar mais desses objetos

Rebecca Boyle, The New York Times

09 de março de 2020 | 06h00

Aproximadamente às 4h da manha do dia 15 de fevereiro no Observatório de Mount Lemmon – a cerca de 2,8 mil metros acima de Tucson, Arizona  - dois astrônomos da Catalina Sky Survey, Kacper Wierzchos e Theodore Pruyne, observavam enquanto os seus computadores registravam um ponto que se movia sobre um fundo estático de estrelas.

“Aparentemente, não é diferente dos outros asteroides próximos da Terra que descobrimos”, disse o dr. Wierzchos, “Com exceção de que foi encontrado orbitando a Terra e não o Sol”. O objeto, chamado 2020 CD3, seria a segunda mini-Lua encontrada, caso se mantenha.

O sistema solar está repleto de migalhas primordiais, a maioria dos quais circunda o Sol no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter. Às vezes, a influência gravitacional de Júpiter manda estas rochas espaciais deslizando na direção do interior do sistema solar, onde algumas delas poderiam ameaçar a Terra. Embora orbitem perto de nós, não orbitam em torno de nós. É o que torna o 2020 CD3 tão raro. Cerca de 18 meses até um ano atrás, a gravidade do sistema Terra-Lua capturou a minúscula rocha em uma dança orbital.

Companheiros efêmeros da Terra podem ser muito comuns, segundo Michele Bannister, astrônoma da Universidade de Canterbury em Christchurch, na Nova Zelândia. Eles estão orbitando aproximadamente no mesmo espaço em que nós estamos”, ela disse. “ E é como toda dança: vocês dão umas duas voltas juntos, e depois se separam. Há uma qualidade maravilhosamente transitória nisto.”

Os astrônomos do Minor Planet Center, organismo internacional que monitora as descobertas de asteroides, anunciaram a descoberta no dia 25 de fevereiro. Com apenas algumas noites de dados, é muito cedo para afirmar com segurança do que a 2020 CD3 é feita.

Poderia ser do tamanho de um carro pequeno. “Provavelmente caberia em um quarto”, disse Alessandra Springmann, astrônoma da Universidade de Arizona. Prevê-se que a lua sairá da  órbita da Terra em meados deste mês, disse Paul Chodas da NASA. “Estamos  pegando este sujeito na saída”, ele disse.

A pequena lua anterior orbitou ao redor da Terra em 2006 e 2007. Acredita-se que retornará em 2028. Os astrônomos se apressaram a dirigir todos os telescópios disponíveis na direção do objeto a fim de determinar sua natureza, mas Chodas disse que a 2020 CD3 está se tornando cada vez mais escura e provavelmente clara demais para ser vista até junho.

Quando o futuro Observatório Vera Rubin começar a tirar fotografias do céu, os astrônomos poderão detectar a cada poucos meses uma nova mini-lua, disse Grigori Fedorets, astrônomo da Queen’s University de Belfast. Em qualquer momento, a Terra provavelmente hospeda uma mini-lua de cerca de um metro de diâmetro, e a cada década aproximadamente ela captura uma luazinha do tamanho da 2020 CD3, acrescentou Fedorets.

Serão necessários esse telescópio e outras missões espaciais propostas para detectá-las, segundo Amy Mainzer, astrônoma da Universidade de Arizona. “Só podemos ver aquilo que a tecnologia de que dispomos nos permite ver. E necessariamente, não é sempre tudo” / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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