Daniel Slim/Agence France-Presse - Getty Images
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Onde foram parar as crateras do nosso planeta?

Novo estudo científico mede idade de crateras pela sua temperatura

Kenneth Chang, The New York Times

08 de fevereiro de 2019 | 06h00

É claro que temos a notável Cratera de Barringer, no Arizona, e Chicxulub, que fica sob a Península de Yucatán, no México - uma cicatriz de 160 quilômetros de largura do meteoro que provavelmente causou a extinção dos dinossauros. Parte do bombardeio cósmico, correspondente às rochas espaciais que caíram nos oceanos, não formou crateras. Outras foram apagadas pela erosão e pelo movimento das placas tectônicas.

Ainda assim, o número de crateras no nosso planeta parece baixo: apenas 190 exemplos confirmados. Um novo estudo indica que os geólogos não conseguem encontrar mais marcas significativas na superfície da Terra porque essas nunca existiram. No mês passado, pesquisadores apresentaram os resultados de uma nova técnica indicando que a frequência de queda de rochas espaciais na Terra e na Lua era menor do que a observada atualmente, mas aumentou 200% ou até 300% por razões ainda não explicadas.

“Acho que temos uma boa história”, disse William F. Bottke, cientista planetário do Instituto de Pesquisa Southwest, em Boulder, Colorado, e um dos autores do estudo. “Estamos mudando a frequência de impactos na Terra por uma magnitude de 2 a 3. Isso ocorreu há 290 milhões de anos.”

Essa revelação foi inesperada, pois não há motivo óbvio para um aumento no número de asteroides ou cometas. Essa época, anterior ao surgimento dos dinossauros, é muito posterior aos primórdios caóticos do sistema solar. Outros cientistas se mostram céticos, pois a pesquisa tira suas conclusões a partir de um número pequeno de crateras terrestres e lunares. O professor H. Jay Melosh, da Universidade Purdue, em Indiana, disse que, “com estatísticas derivadas a partir de números pequenos, não me sinto convencido do raciocínio apresentado por eles".

A Lua deve oferecer alguns indícios. O satélite tem muitas crateras, com milhares de impactos registrados desde a sua formação, há cerca de 4,5 bilhões de anos. Mas, com frequência, é difícil determinar a idade de uma cratera lunar específica. A datação de elementos radiativos nas rochas lunares trazidas pelos astronautas da expedição Apollo há quase 50 anos determinou a idade de aproximadamente 10 crateras, disse a professora Rebecca R. Ghent, da Universidade de Toronto, e uma das autoras do novo estudo.

Outro método usado para datar algumas crateras é menos preciso. Quando uma cratera é nova, seu interior é liso. Com o tempo, meteoritos menores atingem a superfície do seu interior. Mas ninguém sabe ao certo a frequência desses impactos. Um deles poderia espalhar rochas menores pela paisagem, resultando no que aparentariam ser múltiplos impactos distintos. “Desse jeito, calcularemos a idade errada", disse Ghent.

Ela teve a ideia de medir a temperatura de uma cratera. Uma cratera lunar recente tende a ficar cercada por rochas maiores escavadas pelo impacto do meteoro. As rochas retêm calor quando as crateras entram nas noites lunares, que duram cerca de duas semanas. Nas crateras mais antigas, as rochas, submetidas ao impacto e micrometeoritos por milhões de anos, são transformadas em pó, que esfria durante a noite.

A ausência de crateras mais antigas pode ser explicada por aquilo que os geólogos descrevem como período da “Terra-bola de neve”, quando o gelo cobria quase toda a superfície do planeta. As geleiras teriam alisado a superfície. Os cientistas especulam que talvez a desintegração de um asteroide tenha gerado muitas novas rochas espaciais que caíram nos planetas telúricos do sistema solar. Melosh disse que uma resposta conclusiva deve vir da Lua, mas não num futuro próximo. “Todos esses problemas seriam resolvidos se simplesmente pudéssemos visitar a Lua e determinar a idade de 10 mil crateras", disse ele.

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