Agathe Poupeney|Ópera de Paris via The New York Times
Agathe Poupeney|Ópera de Paris via The New York Times

Ópera fascina público jovem em Paris

Graças a programas de desconto e ao aumento no número de patrocinadores, um público cada vez mais jovem tem assistido às óperas na França

Tobias Grey, The New York Times

02 Março 2018 | 14h44

PARIS - A Ópera de Paris costuma convidar somente jornalistas para as coletivas que realiza com a imprensa para comunicar seus projetos. Mas em janeiro, quando anunciou uma ambiciosa temporada 2018-19, a companhia levou 200 pessoas de até 28 anos de idade para assistirem ao evento, no Palais Garnier.

Foi uma maneira drástica de mostrar o extraordinário sucesso que o teatro vem conseguindo junto ao público jovem. Segundo a companhia, na temporada passada, a casa recebeu 95 mil espectadores abaixo dos 28 anos - mais de 10% dos ingressos vendidos e 30 mil a mais do que nos dois anos anteriores.

A companhia, que vai comemorar o 35º aniversário no próximo ano, é uma inesperada contradição para a tendência mundial de atrair um público idoso nos espetáculos operísticos. A idade média de um espectador em Paris é 45 anos - 48 para a ópera, 43 para o balé - em comparação com 58 no Metropolitan Ópera de Nova York, e 54 no Straatsoper de Berlim.

Paris  não é o único exemplo de sucesso: 39% das reservas de ingressos no Royal Opera de Londres são para espectadores abaixo dos 40 anos. Entretanto, as dificuldades se tornam maiores, mundo afora, porque as companhias tentam garantir um público que procura a ópera com uma familiaridade cada vez menor.

Quando Stéphane Lissner foi eleito diretor-geral da Ópera de Paris, em 2014, adotou algumas medidas com a finalidade de incentivar o público mais jovem. "O inimigo em absoluto de toda ópera é a rotina", disse Lissner - que, aliás tem 65 anos. "Precisamos descobrir nosso público assumindo alguns riscos".

Graças à criação de dois programas que davam descontos a jovens espectadores, e trazendo novos doadores, novos recursos e patrocínios de empresas para a fundação, Lissner organizou apresentações de pré-estreias para jovens abaixo dos 28. Os ingressos custam 10 euros e agora correspondem a 30 mil lugares a cada temporada.

Lissner disse que 56% das pessoas que assistiram a essas pré-estreias nunca tinham ido à ópera. Além disso, quatro apresentações ao ano, com ingressos baratos, destinam-se a famílias que também verão a ópera pela primeira vez.

No ano passado, Thibaud Freund, 27, e sua esposa, Léa Sowinski, 26, foram à ópera e ao balé - Paris une ambos os espetáculos em uma única organização - cinco vezes, duas das quais foram pré-estreias para o público abaixo dos 28 anos. Esses programas de descontos da companhia permitiram que eles desfrutassem destes espetáculos, o que, de outro modo, teria sido impossível.

Léa destacou a inovação cada vez maior das produções, particularmente no caso do balé. "Os cenários são mais modernos", disse, "e também as danças, que agora usam frequentemente música eletrônica".

"O que eu considero um erro, na ópera, foi persistir durante muitos anos com  um número de produções limitadas a apresentações meramente vocais", comentou Lissner. "Hoje, os espectadores procuram mais do que isso. Eles também querem a experiência de algo teatral".

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