Haruka Sakaguchi / The New York Times
Haruka Sakaguchi / The New York Times
Eric Lipton e Steve Eder, The New York Times

11 de janeiro de 2020 | 06h00

DORAL, FLÓRIDA – É happy hour no National Doral Miami de Trump, o vasto resort que é a maior fonte geradora de dinheiro da carteira de negócios do presidente Donald J. Trump. Mas uma noite de fim de semana, no mês de novembro, somente alguns frequentadores se encontravam no bar do resort e na churrascaria de luxo. As mesas com suas velas acesas estavam vazias.

O Doral é o símbolo da pressão financeira que Trump vem sofrendo  desde que chegou à Casa Branca. As suas propriedades hoteleiras de alto luxo tornaram-se campos de batalha nas guerras partidárias que reduziram a taxa de ocupação e estão envolvidas em questões constitucionais sobre a possibilidade de um presidente possuir e dirigir um negócio enquanto exerce o seu mandato. O nome Trump foi retirado de grandes hotéis de Nova York, no Panamá e em Toronto, e o faturamento caiu ou permanece relativamente estável.

Mas uma torre de escritórios de 43 andares na Sexta Avenida, em Midtown Manhattan, conta uma história mais esclarecedora  a respeito da situação da Organização Trump. O presidente é um dos donos do arranha-céu, que não tem o seu nome, e o seu faturamento com os aluguéis do espaço destinado a escritórios está subindo, uma tendência observada em seus imóveis de escritórios comerciais que estão contrabalançando o declínio dos seus empreendimentos hoteleiros. O faturamento nesse edifício e em dois outros em Wall Street e San Francisco subiu vertiginosamente durante o mandato de Trump na Casa Branca, mostram registros financeiros. “Os nossos edifícios de escritórios estão com tudo”, garantiu seu filho Eric Trump. “E este é o ramo subvalorizado”.

Resultado: as receitas totais da companhia permaneceram bastante estáveis ao longo de vários anos, embora alguns hotéis de Trump tenham apresentado declínios nas vendas ou tenham sido superados pelos concorrentes em outras cidades com Miami e Chicago.

Receita

A Organização Trump registrou um rendimento de pelo menos US$ 572 milhões em 2018, mais ou menos como em 2017, como investigou o The Times. A receita permaneceu estável porque os imóveis comerciais representaram um acréscimo de US$ 17 milhões  enquanto os negócios dos hotéis e os acordos de branding caíram aproximadamente na mesma proporção.

Na torre nº. 40 em Wall Street, a receita operacional líquida – que mede o lucro – quase dobrou desde 2015, segundo resultados financeiros obtidos pela Trepp, firma sediada em Nova York que monitora a saúde financeira dos edifícios. Em 2018, o imóvel gerou uma receita de US$ 42,7 milhões, mais do que os negócios do hotel Trump de Washington em todo o mesmo ano.

Na Sexta Avenida, a família Trump é proprietária de 30%  do 1290 da Avenue of the Americas. O proprietário principal do edifício é o Vornado Realty Trust, que continuou a encontrar novos inquilinos para os seus altos aluguéis, inclusive uma locação importante para o escritório global de advocacia Linklaters.

A família Trump é dona também do edifício 555 na California Street, em San Francisco, que o Vornado igualmente controla. O complexo de 167.200 metros é considerado o segundo prédio de escritórios mais valioso em San Francisco, e está listado como 100% alugado no fim de setembro. Entre os seus inquilinos estão o Morgan Stanley, a McKinsey & Company e a Microsoft.

A receita operacional líquida do edifício aumentou cerca de 20% entre 2016 e 2018, segundo registros anuais do Vornado. Em um artigo que mencionava estes imóveis, a revista Forbes calculou que a participação da família Trump nos edifícios do Vornado apresentou um acréscimo de US$ 230 milhões desde que Trump se tornou presidente.

Estes arranha-céus estão contribuindo para elevar os resultados da empresa familiar, embora na realidade o Vornado seja o administrador da torres.

No resort Doral, muitos hóspedes do hotel que foram entrevistados parecia que tinham ido parar lá quase por acidente, por encontrarem diárias relativamente baratas na internet. “É um pouco excessivo, o nome Trump em letras de ouro”, afirmou o executivo brasileiro Fernando Oliveira, que estava em viagem de negócios, referindo-se ao letreiro sobre a entrada do hotel. “Mas é um lugar bonito, e o preço é ótimo”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

Tudo o que sabemos sobre:
Eric TrumpDonald Trumpeconomia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.