Lincoln Center
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Será que o órgão é um instrumento grande demais para uma apresentação?

Os amantes de órgãos esperam que o salão reconstruído no David Greffen Hall devolva o órgão de tubos à casa da Filarmônica de Nova York. Mas o espaço é pequeno

Michael Cooper, The New York Times

25 de dezembro de 2019 | 06h00

Quando as opções para o projeto de reconstrução do David Geffen Hall, a sede da Filarmônica de Nova York no Lincoln Center, foram apresentadas este mês, James Kennerley olhou imediatamente a parede branca acima do palco. Ficou procurando os tubos. “Fiquei surpreso em ver que não havia espaço para o órgão”, disse Kennerley, um dos diretores da Associação Americana de Organistas.

Os organistas, e os que apreciam o som natural, visceral dos órgãos, há muito lamentam que ambas as salas de concertos mais importantes de Nova York, Carnegie Hall e Greffen, tenham tirado seus antigos órgãos, há dezenas de anos, que substituíram por órgãos elétricos.

Eles consideram a próxima reforma da Sala Greffen uma possibilidade de corrigir um erro histórico, principalmente em um momento em que muitas das novas salas mais charmosas do mundo - como a Walt Disney Concert Hall em Los Angeles, a Filarmônica de Paris e a Filarmônica de Hamburgo - acabam de instalar novos e gigantescos órgãos de tubos.

Mas a Filarmônica e o Lincoln Center terão de pesar os desejos dos aficionados do órgão em relação a outras necessidades prementes. De dinheiro, evidentemente, mas também de uma mercadoria ainda mais preciosa em Nova York; o espaço. Que espaço poderia ou deveria ser reservado para um órgão, que tem um papel fundamental em um setor amado, mas limitada do repertório coral orquestral.

Ainda não foi tomada uma decisão, informou Deborah Borda, a diretora da companhia. “A Filarmônica está defendendo uma solução para o órgão”, disse. (As obras de construção da sala começarão em 2022, e a inauguração está prevista para 2024.) A reforma tornou-se um ponto crítico e alguns questionaram por que uma orquestra sinfônica - que depende dos maiores instrumentos não amplificados - fariam uma exceção em relação ao venerável órgão, que, às vezes, é chamado “o rei dos instrumentos”.

“Que pianista sério preferiria um teclado eletrônico a um refinado Steinway ou a um piano de outro excelente fabricante?” perguntou Paul Jacobs, o presidente do departamento de órgão da Juilliard School. A Filarmônica tinha o seu: o órgão Aeolian-Skinner de 20 toneladas, que fazia tremer o chão, com 5.498 tubos, foi construído para ela quando se mudou para o Lincoln Center em 1962. Naquela temporada, o compositor Paul Hindemith escreveu o seu Concerto para Órgão e Orchestra para o novo instrumento.

Mas o órgão foi retirado para a reforma da sala em 1976, a fim de dar mais espaço aos bastidores, e para economizar os gastos com a redução do seu tamanho e reinstalação na sala. (Hoje, uma diocese católica da Califórnia é a proprietária do instrumento, que está sendo restaurado na Itália.)

Kent Tritle, o organista da Filarmônica, disse que está trabalhando com a equipe de projetos para avaliar as opções, desde órgãos digitais a outros com tubos menores de maior pressão a ar, que poderiam atender às exigências em um espaço menor. “Sou um defensor do órgão de tubos”, ele disse, “mas também sou pragmático”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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