David B. Torch para The New York Times
David B. Torch para The New York Times

Orquestra de membro do ABBA faz sucesso com repertório variado

Benny Andersson considera seu grupo parte da tradição dos “dansbands” que trabalharam duro para entreter os suecos

Elisabeth Vincentelli, The New York Times

04 de setembro de 2019 | 06h00

ESTOCOLMO - Recentemente, Catherine King encontrou facilmente um lugar em um show da Benny Anderssons Orkester: ela ficou ao lado do palco com uma bandeira australiana amarrada à divisória. Catherine, 49, havia viajado da sua casa na Tasmânia, até aqui, para assistir a uma excursão de quatro concertos na Suécia.

“Eu me apaixonei pelo Abba quando tinha sete anos, mas infelizmente meus pais não me deixaram assistir aos seus shows em Sydney”, ela contou. “Nunca os perdoei por isso”. “Brincadeira”, acrescentou. (Mas ela não estava brincando.) Benny Andersson, o pianista de barba, foi o arquiteto do som do Abba; ele escreveu e produziu os sucessos do grupo com o colega da banda Bjorn Ulvaeus. Mas os shows do grande conjunto que ele dirige desde 2001 não atraem os fãs de Mamma Mia!.

Andersson, 72, considera o seu grupo, que se chama BAO, parte da tradição dos “dansbands” que trabalharam duro para entreter os suecos por gerações. Os Dansbands, cuja popularidade chegou ao auge nos anos 1980, percorrem o país tocando principalmente músicas pop, rock, disco e os ritmos fáceis conhecidos como schlager (musica romântica) com a finalidade de fazer as pessoas dançarem. Muitos costumam vestir roupas iguais incrivelmente vistosas.

Como a maioria das dansbands, a BAO viaja de ônibus, um confortável veículo de dois andares.  O espaço extra é necessário porque a equipe de Andersson é enorme: 15 integrantes - incluindo violinos e sopros e dois cantores - em comparação a quatro ou mesmo seis de uma dansband normal. O repertório do conjunto é igualmente amplo, com 50 músicas ao longo de quatro horas. Somente algumas são do Abba. “Faço estas para os fãs do Abba porque eles conhecem estas canções”, disse Andersson. “O restante do público, provavelmente não conhece”.

Os repertórios da BAO são variados: do ciclo do Anel de Wagner, só que mais alegre, a valsas, o jazz das big bands, sucessos populares, polkas. Gravando projetos solo, compondo musicais, escrevendo uma suíte para um casamento real sueco, e ajudando a supervisionar o legado de sua banda anterior, a carreira de Andersson pós-Abba tem sido frutífera.

Periodicamente, ele reúne a equipe para algum evento ao vivo. Neste verão, o grupo tocou em oito espetáculos ao ar livre. Estes shows são fundamentais, porque um espetáculo da BAO não é apenas um concerto, mas também uma celebração da comunidade. Então, é instalada na frente do palco uma pista quadrada para dançar decorada com muitas luzes coloridas.

A pista é um maravilhoso equalizador e um aceno à tradição do folkpark, em que muitos dansband exerciam o seu ofício. Os folkparks eram lugares onde os suecos dançavam ao som da música e assistiam a atrações de tipo carnavalesco. Todos os integrantes do Abba se apresentaram neles nos anos 1960, antes de se exibirem em estádios mundo afora.

“Nós achamos que deveríamos levar o nosso folkpark para o povo: a pista de dança, os jogos de dardos, os cachorros quentes, a roda de chocolate - uma roda da fortuna onde a pessoa ganhava chocolate”, disse Anderson. E acrescentou: “Era tudo muito bagunçado, por isso nós só mantivemos a pista de dança e as luzes. Mas já é o bastante”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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