Charles Mostoller for The New York Times
Charles Mostoller for The New York Times

Os benefícios da imigração para um país

Nos EUA, os imigrantes participaram ativamente da recuperação de cidades e até mesmo das tropas que combateram durante a Primeira Guerra Mundial

Tom Brady, The New York Times

23 Setembro 2018 | 10h00

Muitos daqueles que se opõem à imigração ignoram uma verdade inconveniente: os imigrantes costumam ser os melhores cidadãos.

Nos últimos anos, imigrantes mexicanos e seus filhos resgataram cidades menores com população em declínio nos Estados Unidos, informou Alfredo Corchado a The New York Times. Cerca de metade das 6 mil pessoas de Kennett Square, perto da Filadélfia, são de ascendência hispânica, e é provável que a cidade teria se extinguido sem elas.

Kennett Square alega ser a capital mundial dos cogumelos, o centro de uma indústria de US$ 2,7 bilhões no sudeste da Pensilvânia que emprega 10 milhões de trabalhadores.

Mas, nos últimos dez anos, o número de imigrantes mexicanos nos EUA diminuiu em mais de um milhão. Alguns foram deportados, e outros foram embora por escolha própria.

"Os mexicanos estão indo embora, e isso é má notícia para todos", disse Chris Alonzo, presidente da Pietro Industries, uma das maiores empresas de cogumelos. "Toda essa negatividade e estímulo ao medo geraram um sentimento anti-imigração que está prejudicando nossa cidadezinha. Temos escassez de mão de obra, o que ameaça a vibração da nossa comunidade".

Os recém-chegados também ajudaram a dar novo ânimo à vida cultural da região.

"Os mexicanos tiveram um impacto positivo na comunidade ao trazer mais cor e sabor para uma vida sem graça", explicou Loretta Perna, coordenadora de programas da Escola Kennett High.

Cem anos atrás, os imigrantes ajudaram os EUA e seus aliados a vencer a Primeira Guerra Mundial.

Em setembro de 1918, o general John Pershing deu início à última grande ofensiva dos Aliados contra a Alemanha no norte da França, um ataque que resultaria no fim da guerra dois meses depois.

Sem a ajuda americana, a guerra teria terminado com boa parte de França, Bélgica e Rússia sob domínio alemão, escreveu Geoffrey Wawro no Times. A Força Expedicionária Americana de Pershing incluía tanto soldados americanos quanto estrangeiros. Os alemães tentaram explorar essa composição multiétnica do exército, provocando os soldados e os chamando de "meio-americanos".

Embora as forças americanas falassem 49 idiomas diferentes, dificultando o treinamento e o trabalho do comando, os imigrantes combatiam com bravura. Os alemães imaginaram que esses soldados se fragmentariam em pequenas unidades étnicas no campo de batalha. Mas as forças americanas permaneceram juntas, embora tenham cerca de 122 mil baixas, incluindo 29 mil mortos.

"Esses meio-americanos manifestam sem hesitação sentimentos puramente nativos", concluiu um relatório alemão. "Sua qualidade é notável. Transbordam com uma ingênua confiança".

Muitos imigrantes também se mostram extremamente leais aos ideais dos países que os adotaram. O imigrante Yusuf Abdi, que pertence a uma pequena mesquita em Flen, na Suécia, disse ao Times que a guinada do país à direita não o preocupa muito. "A Suécia é um país democrático, governado por regras e leis", disse.

Flen é uma cidade de aproximadamente 7 mil habitantes, a duas horas de Estocolmo, e alguns dos moradores locais estão descontentes com a direção que o país está seguindo.

Anders Jansson, 64 anos, que trabalha numa fábrica da Volvo em Flen, defende o partido da esquerda por causa de seu compromisso com os trabalhadores. Ele criticou a "normalização" dos democratas suecos contra a imigração. De acordo com ele, o clima é ruim, com um novo vetor de egoísmo. 

"Estamos deixando de ser uma sociedade na qual todos cuidavam uns dos outros para nos tornarmos uma sociedade que se importa apenas em reformar a cozinha, comprar o carro do ano e tirar férias na Tailândia", comentou.

"É uma atmosfera bastante contrária à sueca. Costumávamos ser uma sociedade caracterizada pela obsessão com o consenso, sempre evitando conflitos", acrescentou o consultor de comunicação do Partido Moderado, Erik Zsiga.

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