Madeline Gray para The New York Times
Madeline Gray para The New York Times

Os limites do conforto

Especialistas apontam implicações de sedentarismo e estresse para o cérebro

Tom Brady, The New York Times

10 Junho 2018 | 10h00

A era dos dias passados no trabalho sentados à escrivaninha parece estar chegando ao fim. Sabemos que passar longos períodos sentados nos torna mais suscetíveis à doenças cardíacas, diabetes e a uma expectativa de vida mais curta. Um novo estudo revelou que ficar sentado faz mal também para o cérebro.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, mostraram que o comportamento sedentário está ligado à redução da espessura da superfície medial do lobo temporal, onde fica situado o hipocampo, centro da memória e do aprendizado.

Movimentar o corpo, ou mesmo manter-se de pé, pode levar a uma sensação de mais clareza mental. Os Peripatéticos, seguidores de Aristóteles, caminhavam pela Atenas da Antiguidade enquanto debatiam filosofia. “Parece que eles tinham descoberto algo", escreveu Richard A. Friedman no Times.

Talvez a inspiração venha dos novos estímulos aos quais as pessoas são expostas ao se movimentar por aí. Isso contradiz antigas noções a respeito do pensamento aprofundado, difundidas por professores que dizem aos alunos para permanecerem imóveis e por imagens como “O Pensador”, de Rodin, sentado com o queixo apoiado na mão.

“Eles estavam enganados", escreveu o Dr. Friedman. “Agora podemos todos nos levantar.”

A ideia segundo a qual devemos também proteger as crianças de situações estressantes está sendo igualmente revista. O tipo certo de estresse pode ser benéfico, especialmente para os jovens.

O estresse é a resposta do corpo a um desafio, e um desafio que pode ser enfrentado é positivo. Um professor que pressiona os estudantes e provoca certo grau de ansiedade é, em geral, mais eficaz que um professor demasiadamente brando ou rigoroso com os estudantes. Os melhores professores evitam pressionar os pupilos a ponto de fazê-los desistir. “Eles encontraram o ponto certo do estresse estimulante", informou o Times.

Sob estresse agudo, os humanos produzem os hormônios cortisol e adrenalina, que os ajudam a enfrentar situações difíceis. O estresse crônico, que afeta crianças vivendo em condições de abuso ou negligência, pode levar a problemas de saúde como obesidade, diabetes e pressão alta, além de limitar as capacidades cognitivas.

Essas revelações tornam ainda mais notáveis os feitos dos estudantes da Comunidade de Bolsistas Living-Learning, da Universidade Rutgers-Newark em Nova Jersey.

Os membros da turma incluem: Tyreek, que trabalha em período integral no departamento de saneamento enquanto cria o filho de 10 anos; Ahjoni, que se submeteu a quimioterapia e sobreviveu ao câncer; e Mohamed, expulso de uma escola do ensino médio e suspenso de outra.

Esses estudantes desafiam a definição de bolsistas com sua ênfase no esforço para superar os desafios.

A maioria dos estudantes recrutados para um dos 900 programas de bolsas de ensino superior nos Estados Unidos é vista como forma de aumentar o prestígio da instituição, de acordo com Naomi Yavneh Klos, professora da Universidade Loyola, em Nova Orleans. "A igualdade é frequentemente deixada de fora do cálculo", disse ela ao Times.

Mohamed Abdelghany, o estudante suspenso, disse que no começo ficou "constrangido" por receber a bolsa universitária. "Parecia uma tentativa fracassada de resgatar jovens urbanos com mau desempenho no ensino médio, chamando-os de 'bolsistas universitários' para que se sentissem melhor", disse ele.

Mas ele mudou de ideia depois de perceber como os colegas eram inteligentes e os desafios que tinham superado.

"É uma experiência que ensina humildade", disse Abdelghany, "Ver um grupo de pessoas que acredita em você e no seu potencial quando nós mesmos não o fazemos".

'O Pensador' faria bem se esticasse um pouco as pernas.

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