Reuters/Lucy Nicholson
Reuters/Lucy Nicholson

Os roqueiros envelheceram, mas sempre serão jovens para os fãs

Um amor adolescente que continua vivo, e não liga para os cabelos grisalhos

Alan Mattingly, The New York Times

01 Julho 2018 | 10h00

Huey Lewis vai fazer 68 anos no dia 5 de julho. Don Henley fará 71 no dia 22, Linda Ronstadt, 72 no dia 15, Christine McVie completará 75 no 12, como Mick Jagger no dia 26. Quanto a Ringo Starr, serão 78 no dia 7 de julho.

Como chegamos lá?

“Mesmo que tenhamos consciência de que envelheceram, na nossa mente eles continuam como eram em 1971”, disse Steven Hyden, o autor de “Twilight of the Gods: A Journey to the End of Classic Rock”.

As rádios do rock clássico tocaram inúmeras vezes as suas músicas, por isso, “estes artistas permanecem como que congelados em âmbar”, afirmo a “The Times”. “Então, quando os vemos ao vivo, percebemos o quanto a passagem do tempo os afetou. Não são vampiros”.

O mesmo aconteceu com o seu público. O economista Seth Stephens-Davidowitz, usando dados do serviço de streaming Spotify, analisou 40 anos de músicas durante os quais eles estiveram no topo da lista dos mais vendidos da “Billboard” para verificar quais são os seus ouvintes mais dedicados hoje em dia. O padrão foi coerente. “As canções lançadas dezenas de anos atrás, agora, em média, são mais ouvidas por homens que tinham 14 anos naquela época”, ele escreveu no “The Times”. Suas fãs de então tinham 13.

E prossegue: “Esta é mais uma prova para o crescente consenso científico de que nós, na realidade, nunca saímos do ginásio e do colégio”.

(Confesso: Minha primeira banda favorita, que ainda ouço regularmente, era Mr Henley’s Eagles. Seu primeiro álbum Número 1, “One of These Nights”, foi lançado em 1975. Eu tinha 14 anos.)

A adolescência e a rebeldia do rock foram feitas uma para a outra. Talvez seja esta umas razões do seu fascínio para Yuny Shishkov, que cresceu na Bielo Rússia, que ainda fazia parte da União Soviética. “O governo proibia que se tocasse e se ouvisse rock ‘n’ roll”, contou. “Mas ainda o ouvíamos pelo rádio nas ondas curtas. Eu me apaixonei pelo rock aos 12 anos, e queria desesperadamente tocar guitarra”.

Mas não era muito fácil. As guitarras profissionais só estavam disponíveis no mercado negro, ele disse, a um preço equivalente a cerca de quatro anos de salário. Então ele fez a única coisa que podia fazer. Aprendeu a construí-las.

“Eu adorava Ritchie Blackmore, o guitarrista do Deep Purple. Tinha uma foto dele com uma Fender Stratocaster. Ampliei a imagem, a desenhei no papel e a reproduzi em escala”.

(Só para constar, o aniversário de Blackmore foi em abril. Ele tem hoje 73 anos.)

“Então imaginei as partes elétricas”, prosseguiu Shishkov. “Não foi muito difícil. Na época, a maioria dos garotos na URSS não tinha brinquedos, por isso, todos éramos especialistas em produzir os nossos. Logo comecei a fazer guitarras para outras pessoas, uma produção subterrânea - literalmente subterrânea, no porão da nossa casa”.

Aos 54 anos, hoje ele continua construindo os seus brinquedos. Depois de se mudar para os Estados Unidos em 1990, sem falar inglês, mas com a perícia de um luthier, subiu na vida por seu próprio esforço e agora é mestre luthier da Fender. Seus trabalhos incluem uma Stratocaster folheada a ouro, produzida sob encomenda para Prince.

Infelizmente, Prince já não pode tocar. Nem Tom Petty, nem Gregg Allman, e nem tampouco o parceiro de Henley, Glenn Frey. O tempo não para.

“Achei que o livro fosse um pouco mais irreverente”, comentou Hyde sobre “Twilight of the Gods”. Mas enquanto ele escrevia, “Me dei conta de que o texto fala da música, mas o subtexto se refere à mortalidade. Quando as pessoas lamentam a morte das pop stars, o que elas lamentam na realidade é uma parte do seu próprio passado”.

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