Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90
New York State via The New York
New York State via The New York
Heather Murphy, The New York Times - Life/Style, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2021 | 05h00

É o mais recente símbolo de status. Dá acesso a shows, arenas esportivas ou mesas de restaurantes há muito proibidas. Algum dia, pode até ajudar você a cruzar uma fronteira sem ter de ficar em quarentena.

O novo cartão platinum da era da Covid é o certificado de vacina. É um documento que existe há mais de dois séculos, mas raramente prometeu ter tanto poder sobre a cultura e o comércio. Muitas versões desse certificado agora vêm com um toque digital.

"Fazia muito tempo que não tínhamos uma pandemia afetando tão profundamente todas as facetas da sociedade e, em seguida, o desenvolvimento de uma vacina. Não há precedentes desde 1918, e definitivamente não tínhamos smartphones em 1918", disse Carmel Shachar, diretora executiva do Centro Petrie-Flom de Políticas Jurídicas de Saúde, Biotecnologia e Bioética da Escola de Direito de Harvard.

Ramesh Raskar, professor do Laboratório de Mídia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, tem liderado um esforço para desenvolver uma solução que inclui um certificado em papel que qualquer pessoa pode carregar facilmente e um passe digital gratuito que funciona mesmo sem serviço de celular. "Vamos sair da pandemia com uma nova moeda para a saúde", afirmou.

Descobrir como esses passes devem ser usados e qual deve ser sua aparência está dividindo legisladores, líderes empresariais, especialistas em ética, designers e funcionários da saúde.

Um passe fácil feito de papel fino

O cartão de vacinação da Covid-19 nem sempre traduz o significado do documento. Nem o cartão é especialmente projetado para combater fraudes. A maioria das centenas de milhões de pessoas em todo o mundo que receberam pelo menos uma dose da vacina contra a Covid-19 nos últimos meses recebeu um frágil pedaço de papel.

Em algumas partes do mundo, a prova de vacinação tem dado às pessoas uma série de benefícios: pipoca e sorvete grátis, e até desconto na compra de cerveja. Mas, na maioria das vezes, apenas permite que a pessoa poste uma selfie ou tranquilize os conhecidos. Alguns governos estão procurando sistemas mais formais que funcionem em telefones e combatam a fraude. Aqui está um resumo de alguns dos primeiros esforços.

Dinamarca

Nome: Coronapas (passaporte Corona)

Com isso você poderia conseguir uma mesa na parte interna de um restaurante? Sim. Na Dinamarca, os restaurantes estão abertos apenas para entrega desde dezembro e reabriram em abril com a ressalva de que apenas aqueles com o Coronapas podem se sentar na parte interna, anunciou o Ministério da Saúde.

Que tal um show ou um jogo? Isso também. Como parte do plano de reabertura do país, o governo permitiu assentos internos em eventos esportivos e outros em estádios para os portadores de passe.

Mais alguma coisa? Em seis de abril, salões de beleza, salões de tatuagem, casas de massagem e autoescolas abriram exclusivamente para clientes com o Coronapas. O governo dinamarquês não monitora cada vez que o passe é usado, explicou o ministério, mas cerca de três milhões e meio de pessoas visitaram o aplicativo ou o site na primeira semana. O aplicativo também pretende ser uma forma de os viajantes mostrarem às autoridades de outros países que foram vacinados.

Como conseguir um? Você deve estar totalmente vacinado e ter o resultado negativo para coronavírus nas últimas 72 horas ou ter superado a infecção nos últimos 180 dias. O cidadão dinamarquês pode baixar o aplicativo em um smartphone ou visitar um site para imprimir o Coronapas, que tem o aspecto sombrio de uma passagem de trem antiga.

A União Europeia também não está desenvolvendo um sistema? Sim. Em 21 de junho, a UE deve apresentar um certificado denominado Digital Green Pass (passe verde digital), com o objetivo de permitir que as pessoas que foram vacinadas contra o coronavírus viajem com mais liberdade. De acordo com as regras propostas, cada nação dentro do bloco poderia decidir quais restrições de viagem, como quarentena obrigatória, serviriam para dispensar a apresentação do passe. Mas muitos países, incluindo a Dinamarca, dizem que não podem esperar pelo Digital Green Pass e estão desenvolvendo uma versão própria.

Israel

Nome do cartão: The Green Pass (O passe verde)

Com isso você poderia conseguir uma mesa na parte interna de um restaurante? Sim.

Você poderia ir a um show ou evento esportivo? Isso também.

Mais alguma coisa? O passe permite entrar em muitos lugares, incluindo piscinas, academias, teatros e salões de casamento, bem como em eventos culturais, como shows, jogos e reuniões religiosas. Ter o passe também pode significar não precisar ficar em quarentena por dez a 14 dias depois de uma viagem internacional.

Como funciona? No fim de fevereiro, o Ministério da Saúde de Israel começou a oferecer o Green Pass a moradores totalmente vacinados e a indivíduos que se recuperaram da Covid-19. Ao reservar uma mesa em um restaurante, muitos estabelecimentos começaram a perguntar: "Você tem um Green Pass?" Os israelenses podem imprimir o certificado contendo um código QR, baixar o código no telefone ou mostrá-lo no próprio aplicativo.

Há alguma preocupação em exigi-lo de forma tão ampla? Não. Seema Mohapatra, professora de direito especializada em saúde e bioética, observou que muitas pessoas na Cisjordânia e na Faixa de Gaza não foram vacinadas, o que levanta questões de equidade.

Estônia

Nome do cartão: VaccineGuard

Ele consegue me assegurar a reserva de uma mesa na parte interna de um restaurante? Ainda não.

Que tal entrar um show ou evento esportivo? Também não. Alguns empresários e organizadores de eventos culturais expressaram a esperança de que o governo da Estônia renuncie às limitações de capacidade e a outras restrições se concordar em verificar o certificado à porta, comentou o dr. Ain Aaviksoo, diretor médico da Guardtime, empresa que trabalhou com o governo da Estônia e a Organização Mundial da Saúde para projetar o certificado. Mas isso ainda não foi feito.

Então, para que ele serve? É mais útil para poder ir e vir da Finlândia de balsa.

Nova York

Nome: Excelsior Pass

Posso reservar uma mesa na parte interna de um restaurante? Sim.

Que tal ir a um show ou evento esportivo? Isso também.

Mais alguma coisa? O estado exige que alguns funcionários do governo o utilizem. Cabe às empresas e organizações privadas decidir se querem ou não exigir o passe de entrada. Até agora, o sistema foi usado em restaurantes, em casamentos, no Madison Square Garden, no Barclays Center e no Estádio Yankee, de acordo com Eric Piscini, vice-presidente de Redes de Negócios Emergentes da IBM Watson Health, que o projetou.

Como ele funciona? Nova York começou a oferecer um download do aplicativo em março. Ele verifica se a pessoa foi totalmente vacinada ou se tem um resultado de teste negativo recente. O passe gera um código QR que pode ser escaneado para produzir uma marca de seleção verde ou um X vermelho. Aqueles sem um telefone compatível podem imprimir o código, explicou Piscini.

Quem recebe a marca verde? Uma pessoa que foi totalmente vacinada há mais de 14 dias ou que tem o resultado negativo de um teste PCR de três dias ou de um teste de antígeno – muitas vezes referido como um teste de Covid rápido – nas últimas seis horas. Um desafio: apenas pessoas vacinadas ou testadas no estado de Nova York podem usá-lo. "Se você mora em Nova Jersey, terá de fazer o teste em Nova York para ser adicionado ao banco de dados e poder ir ao estádio", revelou Piscini. A IBM está tentando descobrir como acessar os dados de outros estados. Alguns locais também podem aceitar outras formas de certificação.

Haverá um aplicativo nacional para os EUA? Não. Todos os americanos que tomaram a primeira dose devem ter recebido o mesmo cartão de registro de vacina da Covid-19 criado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças. Mas cabe aos estados, universidades e empresas decidir se desejam exigir esse cartão ou oferecer um aplicativo suplementar. A Casa Branca declarou, em março, que não tinha planos para um banco de dados de vacinação federal universal ou um projeto para uma credencial única.

The New York Times Licensing Group – Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito do The New York Times.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.