Mustafa Hussain para The New York Times
Mustafa Hussain para The New York Times

Cidade no Paquistão sofre com invasão de moscas

Karachi tem persistentes problemas com o lixo e o escoamento

Saba Imtiaz, The New York Times

04 de setembro de 2019 | 06h00

KARACHI, PAQUISTÃO - Inicialmente, foram as inundações, quando semanas de chuvas das monções inundaram os bairros de Karachi, espalhando lixo e águas servidas pela maior cidade do Paquistão, depois, houve os apagões, que em alguns casos duraram até mais de 60 horas. Então a situação piorou: Karachi hoje está sendo invadida por enxames de moscas.

Os insetos estão por toda parte, nas lojas, nos carros e nas casas, e pousam sobre qualquer superfície, desde hortaliças até pessoas. Moscas e inundações frequentemente acontecem ao mesmo tempo. Mas Seemin Jamali, diretora executiva da Jinnah Postgraduate Medical Center, um grande hospital público, observou que esta é a pior infestação que ela já viu.

“Há enormes enxames de moscas e mosquitos”, contou, acrescentando: “Não se pode caminhar em linha reta nas ruas, porque há muitas moscas em toda parte". A cidade começou um programa de fumigação, mas as moscas continuam, e as frustrações estão aumentando. O fato chamou a atenção para os persistentes problemas da cidade com o lixo e o escoamento - questões pelas quais as facções políticas se culpam mutuamente há anos.

Segundo os especialistas, a infestação provavelmente foi provocada pela combinação da estagnação das águas pluviais e do lixo dos animais abatidos para a festa muçulmana de Eid al-Adha. Noman Ahmed, reitor da Faculdade de Arquitetura e Administração da NED University of Engineering and Technology, disse que as chuvas recentes não foram extraordinárias; elas só revelaram a soma dos problemas de Karachi com o desenvolvimento urbano, inclusive o fato de os escoamentos naturais da cidade serem usados como depósitos de lixo. “Se houver outro período como este, a cidade deixará completamente de funcionar”, afirmou Ahmed.

Jamali alertou que os casos de malária, gastroenterite, febre tifóide, dengue, vírus da chikungunya, doenças respiratórias e a febre do Congo estão aumentando. Recentemente, os ambulantes ao redor do Bazaar Bohri abanavam as suas mercadorias na tentativa de afastar as moscas.

Muhammad Ismail Siddiqui, 54, vendia doces tradicionais que cobrira com plástico. Uma loja de caldo de cana também foi invadida pelos insetos. “Não há solução”, disse Shahid, 45. Uma verdadeira limpeza de Karachi seria difícil. A cidade produz diariamente cerca de 12 mil toneladas de lixo.

Os seus recursos e infraestrutura não  acompanham a pressão da constante expansão e as mudanças do estilo de vida dos mais de 15 milhões de habitantes. A administração de Karachi é complexa: a gestão do lixo e os serviços municipais são distribuídos entre diferentes departamentos.

“A cidade exige serviços de limpeza pública de emergência”, afirmou Ahmed - mobilizando recursos para limpar a sujeira e criar um novo sistema de administração da limpeza urbana. Siddiqui afirmou que nos anos anteriores, o governo fumigava de manhã cedo. “Mas agora não há nada disso - não podemos fazer nada, estamos impotentes. Os negócios pararam completamente”, acrescentou. “As pessoas que chegam, já olham as moscas”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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