Emily Berl para The New York Times
Emily Berl para The New York Times

Para Eric Idle, fundador do Monty Python, a vida é uma risada e a morte é uma piada

Novo livro de memórias do Idle conta histórias sobre sua ascensão através da comédia

Sopan Deb, The New York Times

11 Outubro 2018 | 06h00

O 50º aniversário do Monty Python, que estreou na BBC em 1969, está se aproximando, mas não esperem que Eric Idle, um dos fundadores do grupo, comemore.

“Absolutamente não”, respondeu com uma risada, quando perguntei se o grupo tinha planos para alguma comemoração. “Não há nenhum motivo para fazermos isto”.

O que não significa que o espírito dos Python ainda não esteja vivo em Idle. Ele falou ao telefone de Los Angeles, onde prepara nova música para o filme que ainda está em elaboração, baseado em seu sucesso musical “Spamalot”.

Recentemente, ele saiu em turnê para promover seu novo livro de memórias “Always Look the Bright Side of Life: A Sortabiography”. O nome foi inspirado na canção de sua autoria que encerra o filme dos Python, “Vida de Brian”, e desde então se tornou um hino: cantado em geral nos jogos de futebol e nos enterros.

A ambientação da comédia mudou desde que Terry Gilliam, John Cleese, Graham Chapman, Terry Jones, Michael Palin e Idle se associaram na década de 60. Isto não escapou a Shane Allen, responsável pela área de comédia da BBC, que suscitou a ira de inúmeros Pythons quando disse recentemente: “Se vocês forem montar uma equipe agora, não serão mais seis caras brancos de Oxbridge”, referindo-se ao Monty Python. “Vai ser um grupo de pessoas diferentes refletindo o mundo moderno”.

Idle discutiu sua reação aos comentários de Allen em uma conversa muito ampla - condensada e editada para maior clareza.

Pergunta - Como está sendo para você andar pela rua hoje em dia?

Resposta - É um bocado estranho porque o Python fica cada vez maior. Há muito respeito pelo Python, provavelmente demais. Nós aceitamos isto. Na minha idade, você aceita qualquer coisa.

P - No seu enterro irá se ouvir sempre “Always Look on the Bright Side of Life”?

R - Não sei. Não vou estar lá.

P - Você é uma pessoa que olha sempre para o lado mais positivo?

R - Acho que sou um otimista de dia e um pessimista de noite. Sou um otimista basicamente com uma formação pessimista.

P - Você escreveu sozinho para o Python?

R - Deliberadamente, porque não suporto falar com pessoas antes do almoço. Acho que nenhuma pessoa civilizada suporta.

P - Ouvi dizer que na cena em que Han Solo e Leia chegam à Cidade das Nuvens em “O império contra-ataca”, estão bêbados, e por sua causa.

R - Houve uma festa na noite anterior. Fomos dormir muito tarde. Nos divertimos demais, Carrie Fisher havia alugado a minha casa e estava morando lá. Fomos dormir e eles foram trabalhar. Ocorre que quando filmaram a cena, estavam um pouco altos. Então, sim, tenho orgulho daquele momento.

P - Você se encontra com Terry Jones? (Jones anunciou no ano passado que tinha demência.)

R - Eu o vi no ano passado em um encontro do Python. Está piorando progressivamente. Estas pessoas vão entrando em um mundo negro. É uma coisa muito triste. Você as vê, mas elas não estão realmente ali. Sinto uma enorme falta dele.

R - O que achou do comentário de Shane Allen?

R - Achei bobo, mas ele escreveu um artigo para “The Guardian”. E explicou o que queria dizer com aquilo na realidade.

Evidentemente só há macacos na imprensa britânica. Eles fazem de tudo para criar problemas. Ele estava falando sobre a diferença de época, e a BBC agora precisa saber que os tempos mudaram e na realidade precisam mudar. Ficou aborrecido por causa do abuso de John. Sei que Terry Gilliam escreveu alguma coisa muito engraçada, que o aconselhei insistentemente a não publicar se queria que alguém assistisse ao seu filme.

O fato é que os tempos, evidentemente, mudaram. Nós fomos caracterizados como gente de Oxbridge, pessoas privilegiadas. Eu não tive nenhuma formação privilegiada. Nós lutamos para entrar na BBC por uma porta secundária e nos recusamos a sair.

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