Valeria Gonçalvez/Estadão
Valeria Gonçalvez/Estadão

Para os ricos, meio de transporte preferido é o helicóptero

Nas cidades entupidas pelo tráfego ao redor do mundo, os céus estão repletos de helicópteros

Steven Kurutz, The New York Times

25 de março de 2020 | 06h00

O jato particular é o símbolo definitivo da nossa nova Era Dourada: cada vez mais populares entre os muito ricos, eles dão ansiedade nos bilionários mais progressistas. Abigail Disney agora os evita; ambientalistas famosos como Leonardo DiCaprio e o príncipe Harry foram duramente criticados por usá-los. Ainda assim, vendem mais do que nunca.

Menos glamourizada e menos examinada é a outra aeronave dos 1% mais ricos: os helicópteros. Mais frequentemente alugados do que comprados, os helicópteros têm escapado ao radar cultural. Isso mudou em janeiro, quando Kobe Bryant alugou um helicóptero Sikorsky S-76 na Califórnia que teve um acidente em meio à neblina densa, matando os nove passageiros, incluindo Bryant e sua filha, Gianna, de 13 anos.

A morte de Bryant apontou os holofotes para o mundo dos helicópteros particulares, e para o seu uso por parte dos ricos.

Se o jato particular se tornou o brinquedo dos bilionários, o helicóptero particular há muito é considerado mais utilitário. Seus usos são limitados e específicos — em geral, a ideia é vencer os engarrafamentos.

“É uma ferramenta que as pessoas de negócios usam para se deslocar rapidamente pela cidade", disse Dan Sweet, da Associação Internacional de Helicópteros, entidade que representa a indústria. As cidades com o maior volume de tráfego de helicópteros têm duas coisas em comum: uma concentração de habitantes ricos e ruas extremamente congestionadas. Em Nova York, Los Angeles, Tóquio e Cidade do México, há helicópteros por toda parte.

Os brasileiros ricos de São Paulo voam de heliporto em heliporto há décadas, valendo-se de uma das maiores frotas de helicópteros no mundo. Quem pode pagar usa o helicóptero como meio de transporte desde os anos 1970, disse Sweet. “Tudo começou com o Bell 206", disse ele, referindo-se a um modelo pequeno de rotor duplo fabricado pela Bell Helicopter. “Todos o viram como uma maneira bacana de se chegar ao outro lado da cidade. Então a Sikorsky lançou o S-76” — modelo para até 12 passageiros, com custo de US$ 13 milhões — “uma atraente máquina para transportar executivos".

Além das quadras de tênis e das garagens para 10 carros, os lares dos ricos e famosos passaram a incluir heliportos. Billy Joel construiu um em sua mansão de frente para o mar em Long Island, para ser levado a apresentações no Madison Square Garden. Os titãs do Vale do Silício são os mais novos a aderir à moda, com startups como Blade e Uber Copter.

Os helicópteros mais chiques, como um modelo da Airbus com interior projetado pela Hermès, mais parecem limousines.

Entre os proprietários de helicópteros estão Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova York mayor, que pilota seu próprio modelo Agusta de US$ 4,5 milhões, e o ator Harrison Ford, piloto licenciado que uma vez salvou um montanhista desidratado em Idaho.

E o uso de helicópteros particulares deve crescer. As startups de helicópteros já tentam transformar uma ida de helicóptero ao aeroporto (antes uma extravagância) em algo mais corriqueiro. Os preços partem de US$ 200.

Em dezembro do ano passado, uma passageira descobriu que, por meio do Uber, era mais barato ir de helicóptero ao aeroporto John F. Kennedy do que de carro. Por US$ 101,39 (uma promoção por tempo limitado), ela teve o gosto de viajar pelo mundo como uma bilionária, ainda que brevemente. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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