Tomohyro Ohsumi / Getty Images
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Para viver mais, pense positivo e coloque o celular de lado

De acordo com pesquisa com mais de 150 mil pessoas, 35% disseram ter se sentido estressados durante parte do dia anterior; dependência eletrônica pode ampliar o estresse

Alan Mattingly, The New York Times

05 de maio de 2019 | 06h00

Quem está se sentindo estressado hoje tem companhia de sobra. De acordo com pesquisa de opinião realizada pela Gallup com mais de 150 mil pessoas de todo o mundo, 35% dos participantes disseram ter se sentido estressados durante boa parte do dia anterior. A situação é de dar pena nos Estados Unidos, onde os estressados chegaram a 55%.

Como é possível que cidadãos de um país tão rico e poderoso estejam entre as pessoas mais estressadas do planeta? “Estamos observando padrões que poderiam indicar uma explicação política, ou uma polarização”, argumentou ao Times Julie Ray, da Gallup. “Mas não podemos apontar com certeza a existência de uma correlação de fatores”.

O levantamento indagava a respeito de experiências negativas e positivas. Foi revelado que pessoas de baixa renda e contrárias ao presidente Donald J. Trump pareciam mais propensas a experiências negativas. As pessoas com menos de 50 anos também pareciam mais propensas a experiências negativas, de acordo com o levantamento, mas, como escreveu Paula Span recentemente no Times, ultrapassar a marca dos 50 traz estresses únicos.

Ela lembrou de quando viu o anúncio de uma confeitaria que dizia: “Para quando você quer o bolo inteiro para si, pois é seu aniversário de 30, que é basicamente o mesmo que 50, o que significa um pé na cova". “Depois que alguns de nós se queixaram do anúncio nas redes sociais", escreveu Paula. "A empresa se desculpou pela sua suposta tentativa de humor, que eu descreveria como preconceito contra os mais velhos", continuou. 

Golpes desse tipo “não passam de microagressões se comparados às formas mais comuns de discriminação contra os mais velhos: no ambiente de trabalho, no atendimento de saúde, nos retratos caricaturescos da mídia e na invisibilidade", definiu Paula. “Quando são internalizadas pelos próprios adultos mais velhos, essas visões depreciativas podem afetar negativamente a saúde mental e física”.

Esse é o parecer da Organização Mundial da Saúde. “Trata-se de um problema incrivelmente nocivo e generalizado", disse Alana Officer, que comanda os esforços do grupo de combate à discriminação contra os mais velhos. “É algo que não afeta apenas os indivíduos, mas também nossa forma de pensar as políticas públicas”.

Becca Levy, da Faculdade de Saúde Pública de Yale, pesquisa o assunto há 20 anos, e a obra dela mostrou que pessoas que adotam uma abordagem mais positiva para o envelhecimento têm mais probabilidade de se recuperar de uma incapacidade do que aquelas que acreditam em estereótipos negativos.Além disso, “elas sentem menos depressão e ansiedade", destacou Paula, descrevendo a pesquisa. “Vivem mais tempo”.

Guardar o celular

Equipes da OMS estão coletando informações a respeito das consequências globais para a saúde, e as Nações Unidas deve publicar em breve um relatório desse trabalho. Até lá, há uma medida imediata que podemos adotar para reduzir o estresse e a ansiedade, independentemente da idade: guardar o celular.

É um assunto que parece entrar em todos os debates, o que não chega a surpreender. As evidências do custo da dependência eletrônica são cada vez mais contundentes. Além de causar problemas como insônia e déficit de atenção, eles ampliam as fontes de estresse. “Ao elevar de maneira crônica os níveis de cortisol, principal hormônio do corpo para o estresse, é possível que nossos celulares coloquem em risco nossa saúde e abreviem nossas vidas", explicou Catherine Price. 

E não é necessário nem mesmo estar com o aparelho nas mãos. “Os níveis de cortisol são elevados quando o telefone está à vista ou por perto, quando o escutamos ou pensamos tê-lo escutado", disse David Greenfield, fundador do Centro para o Vício em Internet e Tecnologia. “É uma resposta do mecanismo de estresse, uma sensação desagradável, e a resposta natural do corpo é mexer no telefone para fazer com que o estresse vá embora”. 

Robert Lustig, autor de The Hacking of the American Mind, acrescentou: “Todas as doenças crônicas que conhecemos são exacerbadas pelo estresse. E nossos celulares estão contribuindo claramente para isso". / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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