Pier55 Inc/Heatherwick Studio, via The New York Times
Pier55 Inc/Heatherwick Studio, via The New York Times

Parque de US$ 250 mi emerge sobre rio de Nova York

Idealizado pelo magnata Barry Diller, o projeto polêmico também inclui um anfiteatro com 700 lugares

Corey Kilgannon, The New York Times

13 de janeiro de 2019 | 06h00

Uma construção estranha está sendo erguida no Rio Hudson. É verde. Futurista. Cara. É a Diller Island, um parque e um ambiente para a apresentação de artes teatrais, apoiado sobre pilões de concreto ao longo do West Side de Manhattan. Conhecida formalmente como Pier 55, deve ser inaugurada em 2021.

O Pier 55 já chamou a atenção por seu custo, US$ 250 milhões, que estão sendo pagos pelo magnata do entretenimento Barry Diller e sua esposa, a designer de moda Diane von Furstenberg.

O projeto também ficou conhecido por suas vicissitudes, como quando, frustrado, Diller decidiu abandoná-lo por algum tempo, em 2017, depois de uma dura batalha com um grupo de opositores. Mas agora o projeto está avançando a todo vapor, e após sete anos de planejamentos e manobras burocráticas, o parque está tomando forma.

Em dezembro, os operários começaram a instalar os suportes de concreto, espécie de bacias, que conferem ao parque uma visão inusitada.

"As pessoas talvez não gostem disso, mas pelo menos é um projeto que poderão olhar e exclamar, 'Uau, é uma coisa realmente interessante'", disse Diller.

O parque terá também um anfiteatro com 700 lugares para espetáculos de música, teatrais e de dança. O arquiteto britânico Thomas Heatherwick imaginou uma plataforma ondulada com uma superfície de um hectare, que surge diretamente do rio, sustentada em seu perímetro por grupos de elementos como taças de champagne brotando de pilões cravados no leito do rio.

As taças são a assinatura da estrutura do parque e funcionam como enormes recipientes para o plantio de vegetação, contribuindo para formar as diversas seções inclinadas do local. As taças maiores têm aproximadamente 9 metros de altura e pesam mais de 90 toneladas. Em termos visuais, o parque dará a impressão de apoiar-se sobre as 132 bacias. Duas passarelas ligarão o parque à praia, tornando-o parte do Parque do Rio Hudson ao longo da beira-mar, desde Lower Manhattan até Midtown.

Desde o início do projeto, há sete anos, seu orçamento foi crescendo de US$ 35 milhões para US$ 250 milhões, principalmente por causa de sua complexidade e do emaranhado legal criado por causa de sua localização em um estuário protegido. Os que se opuseram ao plano moveram ações e criticaram o sigilo que cercava a obra, definindo-a como uma ameaça ao meio ambiente, um playground para os ricos e um monumento ao ego de um bilionário. 

Em 2017, depois de cinco anos de projetos e de trabalho de engenharia, bem como uma campanha para conseguir apoio local, Diller parou a construção, mas meses depois a retomou graças à intermediação do governador Andrew M. Cuomo para a obtenção de um acordo que permitiu solucionar a disputa. Diller contou que se desencorajou quando o parque, que ele considera uma área de utilidade pública, passou a ser descaracterizado pelos adversários.

"Foi um presente para a cidade e para o povo de Nova York, mas as pessoas se opuseram por razões mesquinhas que nada tinham a ver com o interesse público. Foi uma coisa devastadora”, disse Diller. 

Ele ressaltou, no entanto, que Cuomo e o prefeito Bill de Blasio apoiam o parque.

"Talvez seja a única coisa", comentou Diller, "a respeito da qual os dois parecem concordar totalmente".

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