Roger Kisby/The New York Times
Roger Kisby/The New York Times

Pedreiros ainda estão a salvo da automatização do trabalho

Robôs desenvolvidos para desempenhar trabalho de pedreiros levam mais tempo para finalizar a tarefa e ainda são incapazes de, por exemplo, ajustar quinas e curvas

Quoctrung Bui e Roger Kisby, The New York Times

03 Abril 2018 | 10h00

LAS VEGAS - Os pedreiros trabalharam com implacável eficiência, raspando e espalhando argamassa tijolo após tijolo, socando cada um para assegurar que tudo estivesse nivelado. Ao final de uma hora, com milhares de espectadores observando, eles tinham construído um trecho de muro que seria o resultado de um dia de trabalho para um pedreiro em ritmo normal.

“Fico beira da loucura quando estou colocando tijolos” disse Matt Cash de Charlotte, Carolina do Norte, atual campeão da Spec Mix Bricklayer 500, a maior competição de pedreiros do mundo.

Do outro lado do estacionamento atrás do Centro de Convenções de Las Vegas, um robô se movia em um ritmo mais lento. Ele é chamado de SAM (abreviatura em inglês para semi-automated mason, ou pedreiro semiautomatizado), e se entrasse na competição, certamente perderia.

Nesta corrida, os humanos estavam segurando o futuro com espátula e músculo. Mas isso pode não durar muito. Está cada vez mais difícil encontrar pedreiros. Apesar do aumento dos salários, há uma escassez de trabalhadores. E pode levar de três a quatro anos até que uma pessoa possa se tornar um pedreiro.

Além disso, a produtividade - quantas paredes de tijolos um trabalhador pode completar em uma hora de trabalho - não é muito melhor do que era há duas décadas. As ferramentas mais importantes da alvenaria - uma espátula, um balde, uma corda e um carrinho de mão - não mudaram muito ao longo dos séculos. Esses fatores parecem colocar o setor em risco de incorporar robôs.

Mas os concorrentes humanos não parecem preocupados. O SAM está longe de ser amplamente adotado. Há apenas 11 deles, custando aproximadamente US$ 400 mil cada, uma quantia inviável para pequenos empreiteiros. As máquinas não conseguem fazer cantos ou curvas ou ler plantas. O SAM também requer trabalhadores para carregar seus tijolos, reabastecer sua argamassa e limpar as junções dos tijolos.

O que SAM faz é trabalhar sem ficar com sede, doente ou cansado. De certo modo, está executando um tipo diferente de corrida.

“Não é sobre vencer ou não na primeira hora”, disse Scott Peters, presidente da Construction Robotics, fabricante da máquina. “Nós gostaríamos de vê-los após a quarta hora”.

Jeff Buczkiewicz, presidente da Associação Americana de Pedreiros e Empreiteiros, reconheceu o papel dos robôs. "Eles farão com que não precisemos de tantos trabalhadores, mas, dada a escassez que estamos vendo agora, isso é provavelmente uma coisa boa", disse Buczkiewicz.

A ênfase ao trabalho manual estava em exibição em janeiro. Os competidores estavam fazendo um trabalho já fisicamente exigente em um ritmo penoso. Ao final, eles movimentaram mais de 600 tijolos, pesando quase 1,5 quilo cada. E os vencedores deste ano foram David Chavez e Miguel Contreras, do Texas.

Não importa o quão hábeis sejam os concorrentes, eles enfrentam um desafio maior: manter o apelo principal dos tijolos como um material de construção barato e durável. Para fazer isso, os pedreiros precisam encontrar uma maneira de transferir suas habilidades e conhecimentos para milhares de novos trabalhadores.

"Há um elemento humano em um ofício que você não recebe de um robô", comentou Buczkiewicz.

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