Fotos: NOAA
Fotos: NOAA

A busca pelos monstros das profundezas do mar

Fornecendo o contexto para a misteriosa vida do peixe pescador

William J. Broad, The New York Times

12 de agosto de 2019 | 06h00

Poucos imaginariam que nas profundezas do mar, onde a luz do sol não pode penetrar, vivem seres improváveis como o peixe pescador, que balança uma "isca" bioluminescente na frente de dentes semelhantes a agulhas. São os peixes que pescam peixes.

A vara de carne, que faz parte do corpo do animal e sai da sua testa, tem uma luz na ponta. O peixe pescador balança a isca para fingir que ela é viva, usando as presas não só como adagas, mas também como as barras de uma gaiola. Alguns conseguem abrir as mandíbulas e expandir o estômago para poder engolir presas maiores do que eles. O peixe pescador chamou a atenção da ciência em 1833, quando um deles foi encontrado nas praias da Groenlândia. Desde então, os cientistas em geral estudam espécimes capturados pelas redes. Mas nos últimos vinte anos, os exploradores puderam ver estas criaturas em seus hábitats, e passaram a usar câmeras para fotografá-los. 

Em 2014, Bruce H. Robinson, um biólogo do Instituto de Pesquisas Marinhas da Baía de Monterey, na Califórnia, viu na baía um peixe pescador, conhecido como demônio negro do mar, e o gravou nadando. “Em vez de examinar os peixes mortos, agora estamos fazendo estudos de comportamento”, afirmou.

Os cientistas identificaram 168 espécies de peixe pescador. Em seu livro “Abyss”, de 1964, Clarence P. Idyll, biólogo que estuda os peixes e o seu hábitat para a Universidade de Miami, disse que a ponta da vara pode brilhar nas gama de cores amarelas, verde-azuis e laranja. “As criaturas do fundo do mar devem achar irresistíveis estas luzes coloridas que piscam e brilham fracamente nas águas escuras”, escreveu. Uma destas espécies, o Lasiognathus saccostoma, não tem apenas um bastão, mas estende a partir dele uma linha, um flutuador, uma isca iluminada e três anzóis. Os anzóis, escreveu o dr. Idyll, são apenas ornamentais.

Ele observou que o peixe pescador “é raramente maior do que o punho de um homem”. Mas os indivíduos maiores das profundezas, os demônios do mar cobertos de verrugas, têm fêmeas de até 76 centímetros de comprimento, enquanto os machos têm cerca de um centímetro.

As primeiras gravações em vídeo submarinas foram feitas em 1999. Os cientistas da Woods Hole Oceanographic Institution de Massachusetts, montaram um laboratório submarino entre a Califórnia e o Havaí. Os operadores de um robô viram peixes nadando de cabeça para baixo na corrente profunda, com suas longas varas penduradas. Um estudo de 2002 diz que aparentemente estavam em busca de presas.

O vídeo divulgado mais recentemente foi feito ao largo dos Açores por uma equipe da Fundação Rebikoff-Niggeler. Em 2016, Kirsten e Joachim Jakobsen estavam em um submersível de pesquisa quando viram uma fêmea “resplandecente com luzes bioluminescentes”, como a revista Science a descreveu, identificada como um demônio do mar com barbatanas em leque. Eles gravaram um macho anão preso à sua parte inferior - um doador de esperma permanente. Os machos desta espécie nunca haviam sido vistos pelo homem.

Robinson observou que as características de um  peixe pescador fazem sentido em um mundo gélido e tenebroso. “Para nós, parte do atrativo dos peixes, em geral, é o fato de serem polidos, terem formas aerodinâmicas e de serem adaptados para a velocidade”, disse. “Estas são as coisas que atraem. Mas a maioria dos peixes pescadores não é feita para a velocidade. Estes predadores usam  a tocaia como estratégia para atrair suas presas”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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